segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

O tempo: velocidade máxima sem aviso

O tempo não pede licença. Um dia acordas e estás a tentar perceber como é que já passou outra década. As manhãs arrastam-se como moluscos, mas os anos… esses desaparecem como se tivessem um contrato secreto com o universo para nos fazer sentir sempre atrasados.

Sopras as velas do último aniversário e, puff, já estás a olhar para o próximo, a perguntar-te se alguém não terá enganado o calendário. Os cafés acabam antes de serem bebidos, os dias úteis parecem maratonas invisíveis e os fins de semana… bem, os fins de semana evaporam antes de conseguires dizer “brunch”.

Resumindo: o tempo não só corre, como ainda te pisa os calcanhares, ri de ti e publica stories sem pedir autorização. A única solução é rir também — porque se o tempo é um velocista, nós só podemos ser espectadores… e talvez, muito ocasionalmente, tropeçar na meta.

sábado, 15 de novembro de 2025

Quando ele trocou a cidade pela minha aldeia

Nunca pensei que alguém trocasse o pulso acelerado da cidade pelo silêncio vivo da minha aldeia — e muito menos por mim. Mas ele fê-lo, com a coragem tranquila que sempre o definiu, mesmo quando tudo à sua volta parecia empurrá-lo na direcção contrária.

Quando disse à família que ia mudar-se para o campo, para uma aldeia “onde não há nada”, como eles diziam, vieram as críticas. Chamaram-lhe impulsivo, inconsciente, romântico em excesso, louco até. “Vais fechar-te num sítio perdido”, “vais desperdiçar oportunidades”, “vais arrepender-te”. Não aceitavam que alguém pudesse escolher uma vida mais lenta quando tinha uma tão rápida à disposição. Não entendiam que ele não estava a desistir de nada — estava, pela primeira vez, a escolher.

Lembro-me da primeira semana dele aqui. Enquanto a família suspirava por mensagens e telefonemas, à espera do tal arrependimento, ele andava de botas na terra, mãos nos bolsos, olhos a absorver tudo como quem reaprende a ver. O som dos pássaros, o cheiro da lenha, os cumprimentos simples de quem passa e, mesmo sem conhecer, acena. Ele sorria com um alívio quase infantil. Dizia que finalmente respirava.

E respirávamos juntos.


A nossa felicidade começou a construir-se ali, no pequeno quotidiano sem pressas. Nas manhãs em que o vi aprender a acender o fogão a lenha. Nas tardes em que íamos a pé até ao rio, falando de tudo e de nada. Nas noites em que o silêncio da aldeia não assustava — embalava.

Com o tempo, ele começou a perceber a verdadeira riqueza destas gentes: a forma como cuidam uns dos outros, como se juntam para uma vindima, como aparecem à porta com um saco de batatas “porque sim”, como fazem do pouco tudo. Ele chegou a dizer, um dia, enquanto o via conversar com o nosso vizinho mais velho: “Isto… isto é família.”

E sorri. Porque, sem saber, tinha acabado de descobrir aquilo que eu sempre soube.

A família não é apenas quem partilha sangue connosco — é quem partilha vida. É quem fica, quem abraça, quem puxa uma cadeira e chama “anda cá”. Aqui, no campo, ele aprendeu isso. E eu aprendi que o amor, quando é verdadeiro, não nos prende — guia-nos.

Hoje, quando olhamos para trás, percebemos que a mudança não foi uma renúncia. Foi um regresso. Não à aldeia — mas a nós mesmos. Ao essencial.

Ele veio para viver um grande amor. E encontrou dois: o nosso e o da terra que agora também o reclama como seu.

sexta-feira, 31 de outubro de 2025

Frutos de Outono

O outono chega sempre com uma paleta de cores quentes e sabores únicos. É a estação em que a natureza abranda, as folhas caem, e as árvores nos oferecem algumas das frutas mais curiosas e ricas da época: marmelos, dióspiros e romãs.

O marmelo, com o seu aroma inconfundível e textura firme, é uma dessas frutas que dividem opiniões. Tradicionalmente, é cozinhado para fazer marmelada — doce típico das casas portuguesas, muitas vezes guardado em potes e coberto com papel vegetal. Mas confesso: eu gosto de marmelos crus. Sim, crus! Cortados em fatias fininhas, com aquela acidez viva e o toque áspero na boca — há algo de autêntico e puro nesse sabor, quase esquecido por quem só os conhece em forma de doce.

Já o dióspiro é, para muitos, o símbolo do outono. Laranja, macio e doce, é amado por uns e rejeitado por outros — e eu fico no segundo grupo. Não como dióspiro. Nunca me conquistou a textura, nem o sabor demasiado maduro. Mas admito: é uma fruta bonita de se ver, com aquele brilho de sol de fim de tarde.

E há ainda a romã, rainha discreta da estação. Por fora, parece austera; por dentro, é um universo de pequenas joias vermelhas, doces e ligeiramente ácidas. Comer romãs é quase um ritual — abrir, separar, saborear — um exercício de paciência recompensado pela explosão de frescura.

O outono é isto: uma mistura de sabores intensos, de contrastes e preferências. Entre o amargo e o doce, o suave e o ácido, há sempre uma fruta que fala connosco.



terça-feira, 28 de outubro de 2025

Primeiros dias de chuva na aldeia

Começa com o cheiro da terra molhada. É sempre assim. Abro a janela e o ar entra frio, carregado de outono. As telhas batem com o som da primeira chuva, e parece que a casa toda se encolhe um bocadinho, a preparar-se para o tempo novo.

Lá fora, o campo muda de cor — o verde fica mais escuro, a estrada brilha e o nevoeiro vem descendo devagar, cobrindo os montes. As galinhas fogem a correr para o galinheiro, o gato instala-se junto ao fogão e a vizinha grita do outro lado do muro:

“Agora sim, menina, já cheira a castanhas!”

Na cozinha, a panela já está ao lume. A sopa borbulha, o vapor embacia os vidros e o cheiro mistura-se com o do café acabado de fazer. A lenha estala devagar e a casa fica com aquele barulho quente que só o fogo sabe fazer.

O tempo abranda. A chuva marca o ritmo.

Ouço o sino da igreja lá ao fundo, o vento a bater nas portadas, e o cão resmunga porque não quer sair. Tudo parece mais pequeno, mais perto, mais nosso.

Pego numa manta, sento-me à janela e fico a ver as gotas escorrerem. Não há pressa, nem planos — só este sossego molhado que chega todos os anos e me faz lembrar porque gosto tanto de viver aqui.

Os primeiros dias de chuva na aldeia são assim: um bocadinho frios, um bocadinho nostálgicos, e completamente perfeitos para ficar em casa.

sábado, 11 de outubro de 2025

Meu amor pequenino

Ainda mal chegaste e já mudaste tudo. O tempo, o ar, o som da casa — tudo parece diferente desde que te tenho nos braços. Há dias que não sei se é dia ou noite, mas sei que cada segundo contigo é um milagre.

Quando te olho, tão pequeno e perfeito, o mundo pára. Sinto uma ternura que não cabe em palavras, um amor que nasceu comigo mas que só agora descobri o tamanho que pode ter. És o pedaço de mim que eu não sabia que faltava.

O teu primeiro choro foi o som mais bonito que alguma vez ouvi. O toque da tua pele, o calor do teu corpo, o peso leve da tua cabeça adormecida no meu peito — tudo em ti é um encanto silencioso que me desarma.

Prometo que vou aprender contigo. Que vou ser paciente, mesmo quando o sono faltar. Que vou ser o teu abrigo, o teu colo, o teu lugar seguro. Prometo que te vou ensinar a ser livre, mas também a saber voltar a casa.

Meu amor, a vida antes de ti era boa, mas agora faz sentido.

♥️


sexta-feira, 10 de outubro de 2025

Gravidez depois dos 40 anos

Nunca pensei que fosse escrever estas palavras: estou grávida. E, mais ainda, que as escreveria depois dos 40.

Durante muitos anos, a maternidade foi um “talvez”. Um sonho guardado numa gaveta, entre o medo de chegar tarde e a sensação de que o tempo certo nunca vinha. Até que um dia, sem planos nem expectativas, a vida decidiu surpreender-me.

Lembro-me da primeira ecografia — o som do coraçãozinho, rápido, firme, quase impaciente. Chorei. Chorei porque, de repente, tudo fez sentido. Era como se o meu corpo, tantas vezes criticado por ser “maduro demais” para isto, me dissesse em silêncio: “Eu consigo”.

A gravidez não foi perfeita. Tive cansaços que nunca imaginei, dores que vinham sem aviso, exames que me deixavam em suspenso. Mas, ao mesmo tempo, vivi uma serenidade que talvez só a idade traga. Já não me preocupei tanto com o que “devia ser”. Aprendi a ouvir o meu corpo, a confiar no ritmo dele, a aceitar a lentidão, o medo e o milagre de cada pequeno avanço.

O parto… foi o momento mais intenso da minha vida. O tempo parou. Lembro-me da força — não a força física, mas a outra, a que vem de dentro, de um lugar antigo e misterioso. Quando finalmente o ouvi chorar, percebi que nunca mais seria a mesma. Era o som mais puro e verdadeiro que já escutei.

Agora, quando o seguro nos braços, olho para ele e penso em tudo o que precisei viver antes de o conhecer. Em todas as versões de mim que tive de deixar para trás.

Ser mãe depois dos 40 não é ser mãe “tarde demais”. É ser mãe no momento certo. No momento em que o amor já sabe esperar, ouvir, e ficar.


quarta-feira, 8 de outubro de 2025

A pequena alegria de ver o bebé a fazer cócó

Há alegrias que só os pais entendem. Uma delas — talvez a mais inesperada de todas — é ver o nosso bebé… a fazer cócó.

Sim, eu sei. Antes de ser mãe/pai, se alguém me dissesse que um dia eu iria comemorar fezes com o mesmo entusiasmo de quem ganha o Euromilhões, eu ria. Mas a verdade é que chega aquele momento em que o bebé passa dois dias sem dar sinais, e de repente, quando finalmente acontece… há música, há aplausos, há quase fogo de artifício.

Tudo começa com aquela expressão inconfundível: o olhar concentrado, a testa franzida, o silêncio solene. O bebé fica imóvel, como se o universo parasse à sua volta. E nós, em total empatia, ficamos também ali, quietos, quase a prender a respiração — a torcer, discretamente.

E quando o feito se concretiza, a alegria é pura. Um alívio que não é só dele — é nosso também. Porque o cócó do bebé é, de alguma forma, uma pequena prova de que tudo está bem. Que o corpo funciona, que o leite alimenta, que o mundo segue o seu ritmo.

Depois vem o “momento limpeza”, claro. Nem sempre glorioso, às vezes verdadeiramente desafiante. Mas até isso tem graça. Porque é impossível não sorrir quando aquele ser pequenino, com ar de missão cumprida, nos olha como quem diz: “Vês, consegui.”

E nós olhamos de volta, meio derretidos, meio orgulhosos, e pensamos que nunca imaginaríamos encontrar tanta ternura… num momento tão simples, tão natural, tão — digamos — aromático.

Ser pai ou mãe é mesmo isso: descobrir que até o cócó pode ser uma celebração da vida.


segunda-feira, 6 de outubro de 2025

Manual de sobrevivência para mulheres normais (ou quase)

Há dias em que acordo a sentir-me poderosa. Penteio o cabelo, ponho rímel, visto uma roupa gira e penso: “Hoje sim, hoje vou conquistar o mundo.”

Depois o mundo começa a responder — o autocarro atrasa-se, o café vem morno, o chefe manda um e-mail com “urgente” no assunto e o gato vomita em cima da minha mala.

Ser mulher moderna é isto: um equilíbrio instável entre o “tenho tudo sob controlo” e o “vou emigrar para uma cabana no Gerês sem Wi-Fi”.

As revistas dizem que devemos ser independentes e confiantes. Eu digo que, se consegui chegar ao fim do dia sem ameaçar ninguém e com o cabelo ainda preso num elástico, já é vitória.

Aprendi que o segredo da felicidade é simples: ter expectativas baixas. Assim, quando o jantar fica intragável, chamamos “fusão culinária”. Quando o namorado esquece o aniversário, é “minimalismo emocional”. E quando alguém nos diz “estás diferente”, respondemos “é o filtro da vida real”.

Resumindo: sobrevivemos. E com um certo estilo — mesmo que esse estilo envolva pantufas e uma caneca de chá às 22h.


sexta-feira, 15 de agosto de 2025

Bombeiros - muito obrigada/o

Num verão marcado pelo calor intenso e pela ameaça constante das chamas, os incêndios voltaram a pôr à prova a coragem e a resiliência de todos. Entre o perigo e a incerteza, os bombeiros — verdadeiros soldados da paz — enfrentaram o fogo com determinação inabalável, arriscando a própria vida para proteger pessoas, animais e bens.

Enquanto o crime de fogo posto continua a destruir não só a paisagem, mas também memórias e sonhos, cresce a indignação da comunidade e a necessidade de justiça. No entanto, perante cada foco de incêndio, ergue-se a força destes homens e mulheres que, com abnegação e espírito de missão, avançam quando todos recuam.

Hoje e sempre, o nosso agradecimento é profundo. Aos bombeiros, símbolo maior de coragem, deixamos a promessa de nunca esquecer o seu sacrifício e de honrar o seu compromisso com a vida.

Obrigado/a, a nossa gratidão pela vossa dedicação.


sexta-feira, 8 de agosto de 2025

Desligar para recarregar: a decisão de ficar offline

Num mundo cada vez mais conectado, em que as notificações não param e o ritmo parece sempre acelerado, tomei uma decisão que, para muitos, pode parecer radical: passar um dia por semana completamente offline.

A escolha não foi impulsiva. Foi o resultado de um cansaço acumulado, de uma sensação constante de estar “ligado” a tudo, mas desconectado de mim próprio. As redes sociais, os emails, as mensagens — tudo exigia atenção imediata. E no meio de tanto ruído digital, comecei a sentir falta de silêncio, de foco e de presença real.

Assim nasceu o meu “dia offline”. Um dia por semana — geralmente ao domingo — em que desligo o telemóvel, não toco no computador e evito qualquer tipo de ecrã. Em vez disso, dedico o tempo a coisas simples: ler um livro, caminhar, cozinhar com calma, estar com a família, ou simplesmente não fazer nada com culpa zero.

O impacto foi imediato. Notei uma diferença enorme na minha disposição, na clareza mental e até na qualidade do meu sono. Percebi o quanto me distraía com coisas pequenas, e o quanto me escapava do presente por estar sempre a pensar no que se passava “lá fora”.

Estar offline é, para mim, uma forma de resistência. Uma forma de dizer que nem tudo tem de ser imediato, que o silêncio tem valor, e que a vida real — aquela que se vive fora dos ecrãs — merece espaço e atenção.

Não é uma fuga. É um reencontro.

sexta-feira, 1 de agosto de 2025

Ler por dentro, não por fora

Vivemos tempos em que tudo parece ter de ser mostrado. Até os livros que lemos. Publicam-se fotos de capas, sublinhados meticulosamente escolhidos, pilhas de leituras estrategicamente organizadas. Lê-se, sim — mas por vezes mais para acumular gostos e visualizações do que para realmente mergulhar na leitura.

Ler muito não é sinónimo de ler bem. Não importa tanto quantas páginas se viram, mas o que se retém, o que se sente, o que se transforma cá dentro. Há quem leia devagar, saboreando cada frase. Outros preferem devorar livros em série. Ambos são leitores — mas a qualidade da leitura não se mede em números.

A leitura devia ser um acto íntimo, silencioso, quase secreto. Um espaço de liberdade, não de exibição. Ler por prazer, por curiosidade, por inquietação. Ler porque se quer saber mais, viver mais, pensar melhor. E não porque se quer mostrar que se leu.

Não há mal nenhum em partilhar o que nos apaixona — pelo contrário. Mas que a leitura não se torne apenas mais um palco. Que continue a ser, acima de tudo, uma viagem interior.


sexta-feira, 18 de julho de 2025

Dissimulação: o teatro da falsidade

Vivemos numa sociedade onde a imagem frequentemente vale mais do que a essência. Nesse cenário, a dissimulação torna-se uma prática comum — e perigosamente aceite. Dissimular é esconder intenções, camuflar sentimentos, mascarar a verdade. Trata-se de uma forma subtil, e muitas vezes sofisticada, de enganar, protegida pelo verniz da conveniência social.

O dissimulado não mente de forma directa; omite, sugere, insinua. Com um sorriso cortês ou um olhar ambíguo, manipula a percepção alheia e mantém uma aparência de harmonia que esconde conflitos profundos. Em nome da convivência, sacrifica a autenticidade. Em nome da estratégia, compromete a ética.

O problema da dissimulação é que ela mina a confiança. Relações baseadas em meias-verdades não resistem ao tempo. Sociedades onde a dissimulação impera tornam-se frias, cínicas e paranóicas. É impossível construir um diálogo honesto quando não se sabe se o que é dito corresponde ao que se pensa.

Além disso, a dissimulação é uma forma de cobardia. Em vez de enfrentar as consequências da sinceridade, o dissimulado prefere o conforto da neutralidade fingida. Mas essa neutralidade é ilusória: omitir-se também é tomar partido, e calar-se diante do erro é compactuar com ele.

Não se trata de defender uma fraqueza rude ou insensível. A verdade pode — e deve — ser dita com empatia. Mas há uma diferença fundamental entre diplomacia e dissimulação. A primeira procura o equilíbrio entre verdade e respeito; a segunda, entre mentira e conveniência.

Num mundo saturado de aparências, ser autêntico é um acto de coragem. Rejeitar a dissimulação é apostar na clareza, na integridade e na construção de vínculos verdadeiros. Porque, no fim das contas, é impossível confiar em quem vive escondido atrás de máscaras.


segunda-feira, 7 de julho de 2025

Dia mundial do chocolate

🍫 Feliz Dia do Chocolate: hoje a culpa é zero e o cacau é 100%! 🍫

Sabia que existe um dia inteirinho dedicado ao chocolate? Pois é! O 7 de Julho é oficialmente o dia em que podemos devorar uma barra (ou várias) de chocolate sem nenhum arrependimento — afinal, é quase um feriado emocional.

Mas por que o chocolate merece um dia só para ele? Simples: porque ele já salvou mais corações partidos do que conselhos de amigas, já animou mais reuniões do que café, e porque, sinceramente, qualquer desculpa para comer chocolate é uma boa desculpa.

E se acha que o chocolate é só saboroso, está a subestimar o poder deste docinho dos deuses. Estudos (sérios!) mostram que melhora o humor, estimula o cérebro, e ainda pode fazer bem para o coração. Ou seja: é praticamente um superalimento... disfarçado de sobremesa.

Algumas maneiras criativas de celebrar o Dia do Chocolate:

Pequeno-almoço? Panquecas com gotas de chocolate. Sem discussão.

Reunião às 10h? Leve trufas. E ganhe novos amigos.

Almoço fitness? Uma saladinha... seguida de mousse de chocolate.

Jantar romântico? Fondue de chocolate, e que se derreta o resto.

E para os radicais do cacau: que tal uma sessão de spa com máscara facial de chocolate? Ou uma vela aromática de brownie no ambiente de trabalho para dar motivação?

No fim das contas, o chocolate não julga, não cobra, e sempre nos entende. Então, hoje, esqueça a dieta, abrace a glicose e diga com orgulho:

👉 "Sim, eu comi chocolate. E faria tudo de novo!"

Feliz Dia do Chocolate, chocólatras! 


sábado, 5 de julho de 2025

Aproveitar os longos dias de verão

O verão chega com os seus dias mais longos, pores do sol dourados e aquele convite irresistível para desacelerar e aproveitar o momento. Mas, com tanta luz e tempo à disposição, como aproveitar tudo isso ao máximo?

Se também sente que o verão desperta uma energia diferente, este post é para si, com ideias práticas para viver esta estação com leveza e alegria.

1. Comece o dia mais cedo

Com o sol a nascer mais cedo, vale a pena antecipar o despertador e ganhar algumas horinhas extra de manhã. Um pequeno-almoço ao ar livre, uma caminhada leve ou até um momento de leitura com a luz natural fazem toda a diferença para começar o dia bem.

2. Aproveite a natureza

O verão é a estação perfeita para se reconectar com o lado de fora: parques, trilhas, praias ou até mesmo um piquenique no quintal. Aproveite os fins de tarde para estar ao ar livre — o contacto com a natureza reduz o stresse e renova as energias.

3. Aposte em actividades ao ar livre

Sessões de cinema a céu aberto, feiras gastronómicas, festivais de música, yoga no parque... Muitas cidades oferecem actividades gratuitas ou acessíveis nessa época do ano. Fique atento à programação local!

4. Faça um detox digital

Com o céu azul lá fora, vale dar uma pausa nas telas. Estabeleça momentos do dia para se desligar dos ecrãs e ligar-se com o que está ao seu redor. Leve um livro para o parque, passear tempo com a família ou amigos  ou simplesmente observe o pôr-do-sol.

5. Descubra novos passatempos

Dias mais longos são ideais para resgatar (ou descobrir) passatempos que andavam esquecidos: jardinagem, fotografia, culinária, escrita, pintura... Pequenos prazeres que cabem nas horas extra que o verão gentilmente nos oferece.

6. Aproveite o fresco das noites

Mesmo depois do pôr-do-sol, o verão convida à vida social: jantares na varanda, noites com amigos, caminhadas nocturnas ou simplesmente admirar o céu estrelado. Crie pequenos rituais para tornar as suas noites especiais.

7. Viva com leveza

O verão é, por natureza, uma estação mais solta, colorida e descontraída. Aproveite para desacelerar, trocar a rigidez pela flexibilidade e permitir-se viver com mais leveza — no vestir, no comer, no sentir.

Conclusão:

Os longos dias de verão são quase um presente da natureza para que possamos respirar mais fundo. Olhe ao redor e viva com mais intensidade. Não importa se está de férias ou no ritmo do trabalho: sempre há uma maneira de trazer o verão para dentro da sua rotina. 🌞

quinta-feira, 3 de julho de 2025

Gratidão

Vivemos num mundo acelerado, onde os dias passam a correr e, muitas vezes, esquecemos de olhar para o que realmente importa. A gratidão é esse olhar. É a pausa no meio do caos. É o reconhecimento silencioso de que, mesmo imperfeito, o caminho já trilhado tem valor.

Ser grato não significa ignorar as dificuldades ou fingir que a dor não existe. Pelo contrário. A verdadeira gratidão nasce quando somos capazes de ver beleza mesmo nos dias nublados, quando percebemos que cada desafio carrega em si uma lição e que, por trás de cada lágrima, há uma semente de crescimento.

Gratidão é acordar e perceber que o simples facto de respirar já é um presente. É valorizar o sorriso de quem amamos, o abraço inesperado, o café quente numa manhã fria. É reconhecer que a vida não precisa ser perfeita para ser extraordinária.

Muitas vezes, esperamos grandes acontecimentos para agradecer: uma conquista, uma vitória, um sonho realizado. Mas a essência da gratidão está nas pequenas coisas, nos gestos quotidianos que passam despercebidos. Agradecer pela saúde, por um lar, por alguém que se importa. Por estar aqui, agora.

Quando cultivamos a gratidão, mudamos nossa forma de ver o mundo. Passamos a perceber o que temos, em vez de nos focarmos apenas no que falta. E essa mudança de perspectiva torna-nos mais leves, mais presentes, mais humanos.

Ser grato é um acto de coragem. É escolher ver a luz mesmo quando tudo parece escuro. É um exercício diário de humildade e amor. Porque, no fim das contas, a gratidão não transforma apenas o que está à nossa volta. Transforma, acima de tudo, quem somos por dentro.


quarta-feira, 2 de julho de 2025

Viver uma vida plena

Viver uma vida plena não é ter todos os sonhos realizados, a conta bancária recheada ou a agenda cheia de compromissos sociais. A plenitude, ao contrário do que muitas vezes pensamos, não está no excesso, mas na presença. Está em estar inteiro em cada momento, mesmo que imperfeito.

Uma vida plena é aquela em que fazemos as pazes com quem somos — com as nossas luzes e as nossas sombras. É quando aprendemos a escutar o silêncio interior e perceber que não precisamos correr tanto para chegar a lugar nenhum. Porque a verdadeira chegada está no caminho, e não no destino.

Plenitude é sentar com alguém que amamos e não precisar dizer nada. É rir com os olhos. É chorar quando o coração pede. É desacelerar num mundo que exige pressa. É aceitar que há dias de cansaço, de vazio, de dúvida — e que eles também fazem parte da beleza de estar vivo.

É cultivar vínculos sinceros, fazer escolhas conscientes e, acima de tudo, alinhar o viver com aquilo que tem valor — e não apenas com o que tem preço.

Viver plenamente não é não ter problemas, mas saber onde está o nosso centro quando tudo balança. É quando entendemos que felicidade não é euforia constante, mas um contentamento sereno, quase silencioso, que mora nos detalhes: um café quente, uma conversa profunda, o cheiro da chuva, um abraço que acolhe.

A vida plena é, no fim das contas, um estado de presença, de conexão e de significado. É viver com propósito, mesmo quando ele ainda está em construção. É estar vivo de verdade — e não apenas existindo no piloto automático.

Porque plenitude não é ter tudo. É sentir que, mesmo com pouco, somos inteiros.

segunda-feira, 30 de junho de 2025

Leitura em papel x leitura digital: um equilíbrio necessário

Vivemos numa era marcada pela tecnologia, onde o acesso à informação se tornou mais rápido e prático. A leitura digital popularizou-se com a chegada dos e-books, tablets e smartphones, oferecendo conveniência e acessibilidade sem precedentes. No entanto, apesar de todos os avanços, a leitura em papel continua a ocupar um espaço importante na vida de muitos leitores. Reflectir sobre as vantagens e desvantagens de cada formato ajuda-nos a compreender melhor como equilibrar tradição e inovação.

A leitura digital tem como principal vantagem a portabilidade. É possível carregar uma biblioteca inteira num único dispositivo, o que facilita o acesso à leitura em qualquer lugar. Além disso, recursos como pesquisa por palavras, marcações instantâneas e ajustes de fonte tornam a experiência mais personalizada e prática. Também não podemos ignorar o impacto ambiental positivo da redução do uso de papel, especialmente em tempos em que a sustentabilidade é uma preocupação global.

Por outro lado, a leitura em papel oferece uma experiência sensorial única. O cheiro das páginas, o toque do papel e a ausência de distracções tecnológicas tornam o acto de ler mais imersivo e, para muitos, mais prazeroso. Diversos estudos indicam que a retenção de informações pode ser melhor em textos impressos, pois o leitor tende a concentrar-se mais e a envolver-se de forma mais profunda com o conteúdo.

No entanto, tanto o papel quanto o digital têm as suas desvantagens. O livro físico pode ser pesado, ocupar espaço e, com o tempo, deteriorar-se. Já a leitura digital exige dispositivos eletrónicos, que nem sempre são acessíveis a todos, além de depender de bateria e, muitas vezes, de ligação à internet. A exposição prolongada às telas também pode causar cansaço visual e dificultar a concentração, especialmente quando há notificações e distracções constantes.

No fim das contas, não se trata de escolher um lado, mas de reconhecer que ambos os formatos têm o seu valor. O ideal é adaptar a forma de leitura ao contexto e às necessidades de cada momento. Seja em papel ou digital, o que realmente importa é manter viva a prática da leitura, que continua a ser uma das formas mais ricas de aprendizagem, reflexão e ligação ao mundo.


domingo, 29 de junho de 2025

Incentivar as crianças a ler

A leitura é uma das habilidades mais importantes que uma criança pode desenvolver. Além de fortalecer a linguagem, a leitura estimula a criatividade, amplia o vocabulário, melhora a escrita e desenvolve o pensamento crítico. No entanto, num mundo cada vez mais digital, despertar o interesse das crianças pelos livros pode ser um desafio. Aqui estão algumas estratégias eficazes para incentivar a leitura desde cedo:


1. Dê o Exemplo

As crianças aprendem muito mais pelo que vêem do que pelo que ouvem. Se os pais e responsáveis lêem com frequência, é mais provável que a criança também se interesse pela leitura. Ter livros visíveis em casa e incluir momentos de leitura na rotina familiar faz toda a diferença.


2. Comece Cedo

Desde o nascimento, os bebés podem ser expostos a livros ilustrados e histórias simples. Mesmo que ainda não compreendam as palavras, o contacto com os livros cria uma relação afectiva com a leitura.


3. Crie um Cantinho da Leitura

Separe um espaço aconchegante e silencioso em casa, com almofadas, tapete e boa iluminação. Um ambiente agradável pode transformar o acto de ler num momento prazeroso.


4. Ofereça Livros de Acordo com a Idade e os Interesses

Respeite as fases da criança. Escolha livros adequados à faixa etária e que estejam alinhados com temas que despertem a sua curiosidade, como animais, aventuras, mistérios ou desportos.


5. Visite Bibliotecas e Livrarias

Levar a criança para explorar estantes, folhear livros e escolher o que quiser ler é uma forma divertida e autónoma de incentivo. Muitas bibliotecas também oferecem a horas do conto e actividades culturais.


6. Leiam Juntos

Reserve um tempo para ler com a criança todos os dias. Ler em voz alta ajuda no desenvolvimento da linguagem e cria vínculos afectivos entre adultos e crianças. Faça vozes diferentes, incentive perguntas e torne a leitura um momento interactivo.


7. Valorize a Leitura como Lazer

Evite tratar a leitura como uma obrigação ou castigo. Mostre que ler é algo divertido e recompensador, como ver um filme ou brincar.


8. Estimule a Criatividade

Após a leitura, converse sobre a história, peça para a criança recontar com as suas palavras, desenhar as personagens ou até inventar um novo final. Isso ajuda a desenvolver o gosto pela narrativa.


9. Celebre as Conquistas

Comemore quando a criança terminar um livro ou mostrar interesse em novos géneros. Pequenos elogios ou até criar uma “prateleira dos livros lidos” pode ser bastante motivador.

Incentivar a leitura desde cedo é plantar sementes para o futuro. Uma criança que lê, imagina, questiona e expressa-se melhor. E, mais do que tudo, carrega consigo uma fonte inesgotável de descobertas, sonhos e conhecimento.

sexta-feira, 27 de junho de 2025

10 razões para ler


1. Desenvolve a imaginação

A leitura transporta-nos para outros mundos, tempos e realidades. A mente ganha asas para criar e imaginar o impossível.

2. Enriquece o vocabulário

Quanto mais lê, mais palavras novas aprende. Isso melhora a comunicação, escrita e compreensão.

3. Aumenta o conhecimento

Livros são fontes inesgotáveis de informação. Ao ler, aprende sobre cultura, ciência, história, comportamento humano e muito mais.

4. Melhora a concentração e o foco

Ler exige atenção. Com o tempo, essa prática ajuda a treinar o cérebro para se concentrar melhor noutras tarefas.

5. Estimula o pensamento crítico

Ao entrar em contacto com diferentes pontos de vista, a leitura ajuda a reflectir, questionar e formar opiniões mais sólidas.

6. Reduz o stresse

Ler é uma forma de escape saudável. Um bom livro pode relaxar a mente e proporcionar momentos de paz e tranquilidade.

7. Aumenta a empatia

Ao ler sobre as experiências e sentimentos de personagens diversos, aprende a colocar-se no lugar do outro.

8. Desperta a criatividade

Histórias bem escritas inspiram novas ideias. Seja para escrever, desenhar, criar ou inovar, a leitura é um combustível criativo.

9. Ajuda no desempenho escolar e profissional

Ler com frequência melhora a escrita, a interpretação de textos e a argumentação — habilidades valiosas em qualquer área da vida.

10. É uma fonte de prazer

Além de tudo, ler é divertido! Um livro envolvente pode trazer tanto prazer quanto um bom filme ou uma série viciante.

quarta-feira, 25 de junho de 2025

Definir limites é necessário

A família é, muitas vezes, o nosso primeiro porto seguro. Forma-nos, acolhe-nos e acompanha-nos, nos momentos mais delicados da vida. No entanto, quando se forma um casal, inicia-se um novo núcleo, com as suas próprias dinâmicas, escolhas e intimidades. E é nesse ponto que, com frequência, surgem os conflitos: quando a família de origem se sente no direito de opinar, criticar ou até mesmo influenciar decisões que cabem exclusivamente ao casal.

Essa interferência, por mais que venha disfarçada de preocupação ou “bons conselhos”, pode tornar-se um veneno silencioso. O que começa com uma sugestão inocente pode evoluir para controlo, julgamentos e cobranças constantes. É importante lembrar que amar não dá o direito de invadir. Cuidar não é o mesmo que guiar a vida do outro.

Muitos casais enfrentam o desafio de estabelecer limites claros — e isso exige coragem. Dizer "não", ainda que com respeito, pode ser doloroso, especialmente quando se trata de pais, irmãos ou avós. Mas é necessário. A saúde de uma relação a dois depende, em grande parte, da capacidade do casal de se proteger emocionalmente de ruídos externos e de construir, juntos, as suas próprias regras.

Cada casal deve ter o direito de errar, acertar, mudar de ideia e crescer à sua maneira. A interferência excessiva da família pode impedir esse amadurecimento, infantilizando decisões que exigem autonomia.

É claro que há famílias que apoiam sem sufocar, que aconselham sem impor, e que estão presentes sem ultrapassar fronteiras. Essas são bênçãos raras. Mas quando o amor se transforma em controlo, é sinal de que os papéis estão confundidis.

No fim das contas, amar alguém também é saber retirar-se na hora certa. É confiar que o outro pode conduzir a sua própria vida — e sua própria relação — com responsabilidade e liberdade. E isso, talvez, seja a forma mais elevada de respeito.

terça-feira, 24 de junho de 2025

Mundo actual

Vivemos tempos curiosos. Avançamos tecnologicamente como nunca antes na história, mas, paradoxalmente, parece que retrocedemos em aspectos fundamentais da convivência humana. O mundo actual, embora ligado por redes e satélites, mostra-se cada vez mais desligado nos sentimentos. A empatia, essa capacidade de se colocar no lugar do outro, vai-se tornando rara — quase exótica.

As relações humanas tornaram-se superficiais, marcadas por julgamentos rápidos e pela intolerância. Há uma pressa em apontar, mas uma enorme lentidão em compreender. Respeitar tornou-se uma tarefa difícil num cenário em que o ego é inflado e o diferente é visto como ameaça. O que antes era diálogo, hoje é confronto.

Falamos muito sobre direitos, e com razão. Todos merecem dignidade, liberdade e voz. Mas esquecemos com frequência que os direitos caminham de mãos dadas com os deveres. Não há verdadeira liberdade sem responsabilidade. E não há sociedade justa se cada um pensar apenas em si.

Neste caos moderno, a loucura parece instalar-se de forma silenciosa, não apenas nos distúrbios psíquicos, mas na lógica das relações e das prioridades. Somos bombardeados por informações, expectativas e comparações — e isso tem-nos tornado emocionalmente frágeis e socialmente instáveis.

Talvez o maior desafio da actualidade seja resgatar a humanidade à pressa, ao ruído e à indiferença. É tempo de desacelerar, ouvir mais, julgar menos. É urgente reaprender a cuidar uns dos outros — com empatia, com respeito, com coragem. A loucura de hoje pode ser combatida com o bom senso de ontem: aquele que sabia que viver em sociedade exige algo maior do que ter razão — exige ter coração.

segunda-feira, 23 de junho de 2025

Jogos electrónicos e vida social/familiar

Nos últimos anos, os jogos electrónicos e de consola tornaram-se uma das formas de entretenimento mais populares entre jovens e adultos. No entanto, o excesso de tempo dedicado a esta actividade pode ter várias causas e consequências.

Uma das principais causas para se passar muitas horas a jogar é a procura por diversão e escape. Muitos jogadores usam os jogos como uma forma de aliviar o stress, esquecer problemas ou simplesmente ocupar o tempo livre. Além disso, a natureza envolvente e viciante dos jogos modernos, com gráficos realistas, recompensas constantes e modos online competitivos, incentiva os jogadores a continuar a jogar durante longos períodos.

Outra causa frequente é a pressão social ou o desejo de pertença a grupos online. Em comunidades de jogos multiplayer, é comum que os utilizadores passem muito tempo ligados para não perderem progressos ou para manterem a sua posição entre os colegas.

Entre as consequências mais evidentes está o impacto na saúde física e mental. O sedentarismo prolongado pode causar problemas como dores nas costas, obesidade, fadiga ocular e perturbações do sono. Do ponto de vista psicológico, o excesso de jogos pode levar ao isolamento social, ansiedade e, em casos mais graves, dependência.

Além disso, o desempenho académico ou profissional pode ser prejudicado, uma vez que o tempo excessivo dedicado ao jogo compromete outras responsabilidades. Problemas de convivência familiar também podem surgir, sobretudo quando os jogos interferem nas rotinas ou nos relacionamentos interpessoais.


sábado, 21 de junho de 2025

Quando o limite do outro é ignorado

Há um tipo de pessoa que entra nos espaços alheios como quem abre a porta de casa sem bater. Gente que acredita que a sua vontade é suficiente para justificar intromissões, palpites e julgamentos. Comportam-se como se tivessem o direito de ditar regras sobre a vida dos outros — o que vestir, com quem se relacionar, como agir, o que pensar.

Essas pessoas confundem convivência com controlo. Não conseguem ver que o outro é um ser autónomo, com as suas próprias escolhas, limites e tempos. Julgam, criticam e, muitas vezes, impõem — como se fossem donas de uma verdade absoluta. Em nome de uma "preocupação", uma "opinião sincera" ou um “quero o teu bem”, invadem, atravessam e ferem.

Falta empatia, sobra ego. Falta escuta, sobra imposição. Respeitar o espaço do outro é reconhecer que nem tudo precisa da nossa aprovação. Que o mundo não gira em torno do nosso ponto de vista. Que cuidar não é controlar e opinar não é mandar.

Liberdade é também deixar o outro ser quem é — sem achar que podemos, queremos ou devemos comandar o caminho alheio.


quarta-feira, 18 de junho de 2025

Quando uma pessoa não sabe ouvir "não"

Ouvir um “não” pode ser desconfortável, mas faz parte da vida. No entanto, algumas pessoas têm extrema dificuldade em aceitar uma negativa — seja em relacionamentos, no trabalho ou em situações do dia-a-dia. Essa resistência ao "não" pode revelar muito sobre maturidade emocional, autoestima e limites pessoais.

Pessoas que não sabem ouvir “não” costumam reagir com frustração, insistência, chantagem emocional ou até agressividade. Em vez de respeitar o limite imposto pelo outro, tentam manipular a situação para que a resposta mude a seu favor. Isso demonstra uma dificuldade em lidar com frustrações e uma necessidade exagerada de controle.

A incapacidade de aceitar o “não” também prejudica os relacionamentos. Afinal, relações saudáveis baseiam-se no respeito mútuo e na compreensão de que o outro tem autonomia. Quem insiste em sempre conseguir o que quer acaba por desgastar os vínculos e criar um ambiente de desequilíbrio e tensão.

Aprender a ouvir e aceitar um “não” é sinal de maturidade. Significa entender que o mundo não gira à volta dos próprios desejos e que cada pessoa tem o direito de decidir os seus próprios limites. Ao respeitar isso, construímos relações mais verdadeiras, baseadas no diálogo e na empatia — não na imposição.


terça-feira, 17 de junho de 2025

Minimalismo: por onde começar?

Já se sentiu sobrecarregada com o excesso de coisas, compromissos e informações? Já olhou ao redor e pensou: "Por que eu tenho isto tudo?" Se sim, talvez o minimalismo seja o caminho que procura.

Minimalismo é mais do que um estilo de decoração com poucos móveis e tons neutros. É uma filosofia de vida que propõe um olhar mais consciente sobre o que realmente importa. Mas afinal, como começar a viver de forma mais minimalista?

1. Reflita sobre o seu propósito

Antes de qualquer mudança prática, pare e pense: Por que quero simplificar a minha vida? É por mais tempo livre? Menos ansiedade? Economia? Mais foco? Entender o seu “porquê” é o primeiro passo para fazer escolhas alinhadas com os seus valores e evitar que o minimalismo seja apenas mais uma tendência superficial.


2. Comece pelo que vê: sua casa

O ambiente em que vivemos influencia diretamente o nosso bem-estar. Comece com um armário ou uma categoria de objectos — como roupas, livros ou utensílios de cozinha. Pergunte: "Eu uso isto? Isto ainda faz sentido para mim?" Doe, venda ou ofereça o que não tem mais função. A sensação de leveza vem logo nos primeiros passos.


3. Repense os seus hábitos de consumo

O minimalismo não é apenas sobre eliminar excessos, mas também sobre não os trazer de volta. Antes de comprar algo novo, faça uma pausa: precisa realmente disso? Tem algo parecido em casa? Essa compra resolve um problema real ou apenas uma emoção momentânea? Consumir com consciência é libertador.


4. Digitalize o que puder

A confusão também pode ser digital. Organize as suas pastas, limpe a caixa de entrada do e-mail, apague apps que não usa. Digitalize papéis importantes, fotos antigas ou documentos que ocupam espaço físico sem necessidade. Menos desordem digital = mais clareza mental.


5. Simplifique a sua rotina

Uma vida minimalista também significa dizer não para o que não faz sentido. Reduza compromissos que não agregam, reveja prioridades e reserve tempo para o que seja de facto importante — como descanso, lazer e tempo de qualidade com quem ama.


Conclusão: menos é liberdade

Minimalismo não é sobre viver com o mínimo. É sobre viver com o essencial. É sobre abrir espaço — físico, mental e emocional — para aquilo que realmente importa. E o melhor de tudo: pode começar hoje, aos poucos.


Não existe fórmula mágica. Apenas a intenção de viver com mais leveza, propósito e verdade.



segunda-feira, 16 de junho de 2025

O que não pode faltar em casa

Há objectos ou alimentos que nunca faltam em casa.  Eles são parte do quotidiano, dos rituais, das manias e das pequenas rotinas que tornam um espaço verdadeiramente "nosso". Estes são os que sempre tenho em casa — e que dizem muito sobre mim:


1. Café – Porque dia bom começa com cheiro de café.

2. Livros – Uns lidos, outros não. Mas só de estarem ali, já fazem parte da casa.

3. Manta no sofá – Porque conforto é prioridade, faça frio ou faça calor.

4. Plantas (mesmo que sobrevivam por teimosia) – Uma tentativa constante de trazer vida para dentro.

5. Bloco de notas ou caderno – Ideias, listas, devaneios... tudo vai parar ali.

6. Chá – Para noites difíceis, estômagos sensíveis ou pura nostalgia.

7. Meias confortáveis – Porque estar em casa pede pés quentinhos.

8. Caixa de ferramentas básica – Um martelo, uma chave de fenda... nunca se sabe.

9. Uma receita de família anotada – Que uma vez ou outra é feita, mais por carinho do que por fome.

10. Um canto só meu – Pode ser uma cadeira perto da janela, uma escrivaninha ou um tapete no chão — é onde volto pra mim.

sexta-feira, 13 de junho de 2025

Beleza na simplicidade

Vivemos num tempo em que a complexidade é muitas vezes confundida com valor. Mas há uma beleza serena e profunda na simplicidade — aquela que não grita, mas sussurra; que não ostenta, mas acolhe.

A simplicidade está nas pequenas coisas: no café quente ao amanhecer, no silêncio que repousa entre duas boas conversas, no céu limpo depois da tempestade. Revela-se na rotina, nos gestos sinceros, nos espaços sem excessos, onde cada coisa tem o seu lugar e o seu tempo.

Ser simples não é ser menos. É, na verdade, escolher com mais consciência. É saber o que é essencial e abrir mão do que apenas ocupa espaço — no lar, na agenda, na alma. A simplicidade é um tipo de sabedoria: a arte de viver com leveza, sem precisar de enfeites para ser inteiro.

Na simplicidade, tudo ganha mais sentido. As palavras têm mais peso. Os afectos são mais verdadeiros. A vida, mais plena.

Menos é mais — não como regra estética, mas como filosofia de vida. Porque quando se tira o excesso, o que fica é o que realmente importa. E isso é belo.


quinta-feira, 12 de junho de 2025

Leitura: a sua importância

A leitura é uma das ferramentas mais poderosas para o desenvolvimento humano. Desde os primeiros contactos com as palavras até às leituras mais complexas da vida adulta, ler é um acto que transforma, ensina e amplia horizontes.

Ao ler, desenvolvemos a linguagem, aumentamos o nosso vocabulário e aprendemos a expressar-nos melhor, tanto na forma escrita como na oral. Além disso, a leitura estimula o raciocínio, a imaginação e a criatividade, permitindo que o leitor viaje por diferentes mundos, conheça outras culturas e compreenda realidades diversas sem sair do lugar.

Outro ponto fundamental é o papel da leitura na construção do pensamento crítico. Um leitor atento e bem informado consegue refletir sobre o que consome, analisar diferentes pontos de vista e tomar decisões mais conscientes. Em tempos de excesso de informação, saber interpretar textos, distinguir fontes confiáveis e entender o que ouve ou lê é uma habilidade essencial.

Além dos benefícios intelectuais, a leitura também pode ser uma fonte de prazer e bem-estar. Ler por lazer alivia o stresse, promove empatia e ajuda-nos a lidar com emoções e experiências da vida quotidiana.

Por tudo isso, incentivar o hábito da leitura desde a infância é uma tarefa importante para pais, professores e para a sociedade como um todo. Ler é mais do que decifrar palavras — é abrir portas para o conhecimento, a liberdade e o crescimento pessoal.


quarta-feira, 11 de junho de 2025

As cores na minha vida

A cor, para mim, é muito mais do que algo que os olhos vêem. É como se cada cor tivesse uma voz, uma energia, um significado que fala directamente comigo. Há dias em que só um simples olhar para uma cor específica, o meu humor muda. O azul suave traz-me calma. O amarelo vibrante dá- me vontade de dançar. O verde faz-me respirar fundo e lembrar que tudo tem o seu tempo.

Desde pequena (ou desde que me entendo por gente), a cor tem sido uma forma de me expressar. Nem sempre consigo colocar em palavras o que sinto — mas consigo mostrar como me visto, como escolho decorar o meu quarto, ... Há dias em que uso cores fortes para me proteger, como uma armadura. Outros, escolho cores mais leves para me acolher.

As cores também me ajudam a lembrar quem eu sou. Conectam-me com lembranças, com fases da minha vida, com versões de mim mesma que às vezes esqueço. Uma cor pode lembrar-me de um abraço, de um lugar, de uma música, de um sentimento.

Viver sem cor, para mim, seria como viver pela metade. Porque é através das cores que eu vejo o mundo com mais alma, mais presença, mais verdade.


terça-feira, 10 de junho de 2025

Família e/ou Carreira

Durante muitos anos, a carreira foi o centro de tudo. Horas a fio em escritórios iluminados por telas, voos apressados, metas a cumprir e conquistas que vinham acompanhadas de aplausos e pouco tempo para respirar. O ritmo era intenso, movido pela ambição e pelo desejo de construir algo sólido, relevante, duradouro. E foi. Os frutos foram colhidos, os marcos celebrados.

Mas, com o tempo, os valores mudaram.

Hoje, o presente é outro. Minimalista, mais silencioso, com menos urgência e mais presença. O foco saiu das agendas lotadas e pousou nos pequenos momentos — um café demorado pela manhã, os passos lentos de uma criança pela casa, o toque sereno da rotina em família. As prioridades mudaram: o essencial tomou o lugar do excesso.

Não foi uma fuga do sucesso, mas uma redescoberta do que realmente significa viver bem. Há beleza na simplicidade e profundidade nos vínculos. A vida, antes pautada por resultados, agora é guiada por afeto, tempo de qualidade e escolhas conscientes.

Entre passado e presente, há uma ponte de gratidão. Tudo o que foi vivido moldou o que se é hoje — mais leve, mais inteiro, mais em casa.


segunda-feira, 9 de junho de 2025

Dez objectos imprescindíveis


1. O comando da TV – Mais sagrado que a chave de casa.

2. A tesoura que ninguém arruma no lugar – Está sempre "ali no cesto", mas o cesto é um buraco negro.

3. A vassoura torta – Já faz parte da família. Ninguém sabe de onde veio, mas varre melhor que as novas.

4. O isqueiro do fogão que desaparece quando mais precisamos – Provavelmente tem pernas.

5. A caixa das ferramentas com tudo, menos o que realmente precisamos – Um museu de chaves de fendas e parafusos inúteis.

6. O cesto da roupa sempre cheio – Mesmo depois de lavar tudo.

7. O rolo de papel de cozinha – Salvou mais desastres que o seguro da casa.

8. A almofada preferida que toda a gente reclama quando desaparece – Caso de polícia.

9. O despertador que ninguém respeita – Apita 12 vezes e ainda nos perguntamos “já são horas?”.

10. A caneca preferida de cada um – E se alguém usar a tua, é traição.


sábado, 7 de junho de 2025

Etapas para vencer um desafio

Passos que poderão ajudar a vencer um desafio:

1. Aceite o desafio

Reconheça que o desafio faz parte do crescimento. Fugir só prolonga o problema. Encare-o com coragem, mesmo que sinta medo — coragem é agir apesar do medo.

2. Defina o problema com clareza

Pergunte-se: "O que está exactamente a desafiar-me? É algo interno (medos, inseguranças) ou externo (falta de recursos, pressão)? 

Quanto mais claro o problema, mais clara a solução.


3. Divida em partes menores

Grandes desafios podem parecer esmagadores. Divida-os em etapas menores e vá resolvendo uma de cada vez. Pequenas vitórias mantêm a motivação viva.


4. Procure apoio

Não precisa passar por tudo sozinho. Amigos, mentores, terapeutas ou até bons livros podem trazer perspectiva e força.


5. Adapte-se e aprenda

Nem tudo vai sair como planeado. Adapte-se, aprenda com os erros e mude o seu caminho, se necessário. A flexibilidade é uma aliada poderosa.


6. Cuide da sua mente e do seu corpo

Sono, alimentação, exercícios e pausas ajudam a manter a mente clara e o corpo preparado. Os desafios são mais difíceis quando se está esgotado.


7. Lembre-se do seu “porquê”

Manter em mente o motivo pelo qual está a enfrentar o desafio dá energia para continuar. Qual é o seu propósito ou objectivo final?


sexta-feira, 6 de junho de 2025

Como lidar com pessoas aborrecidas

Nem sempre podemos escolher com quem nos vamos cruzar — no trabalho, na família ou até mesmo nos relacionamentos do dia-a-dia. Algumas pessoas parecem viver para testar a nossa paciência: são negativas, críticas, insistentes, ou simplesmente… cansativas. Mas aqui vai uma verdade libertadora: ninguém precisa absorver o peso dos outros.


1. Entenda que o problema não é seu

Pessoas aborrecidas geralmente estão a lutar com algo interno. Às vezes é frustração, solidão, insegurança ou até carência de atenção. Isso não justifica o comportamento, mas ajuda a entender que você não é o alvo real. Saber isso já tira um pouco do peso emocional da situação.


2. Não entre no jogo

Evite cair na armadilha da reactividade. Pessoas que gostam de reclamar, provocar ou monopolizar atenção costumam alimentar-se da reacção do outro. Mantenha a calma. Responder com neutralidade pode ser mais poderoso do que qualquer argumento.

Dica prática: Use respostas curtas, firmes e educadas. Exemplo: “Entendo o seu ponto de vista” ou “Vou pensar sobre isso, obrigado por partilhar”.


3. Defina os seus limites com clareza

Tem todo o direito de proteger a sua energia. Estar sempre disponível para os dramas ou reclamações dos outros não é bondade — é auto-abandono. Dizer “não” ou “agora não posso” não nos torna rudes,  torna-nos saudáveis.


4. Pratique o distanciamento emocional

Pode estar presente fisicamente sem se envolver emocionalmente. Isso significa ouvir sem carregar. Observe como se estivesse a assistir a um filme:  vê, entende, mas não entra na tela. Isso exige prática, mas é libertador.


5. Cerque-se de pessoas que lhe acrescentem algo à sua vida 

Nem sempre se consegue evitar os aborrecidos — mas podemos equilibrar as energias. Dê mais espaço na sua vida para quem traz leveza, escute com o coração e respeite o seu tempo. A presença certa cura o peso das presenças erradas.


6. Cuide de si

A melhor defesa contra o incómodo externo é um mundo interno bem cuidado. Medite, escreva, respire fundo, durma bem. Quanto mais em paz você estiver consigo mesmo, menos os outros terão poder sobre a sua paz.

Conclusão:

Não controla o comportamento dos outros, mas podemos escolher como reagir a ele. Lidar com pessoas aborrecidas é um exercício de maturidade emocional — e, mais do que tudo, de auto-cuidado. Seja gentil, mas não permissivo. Seja paciente, mas não passivo. Acima de tudo, seja fiel à sua paz.


quinta-feira, 5 de junho de 2025

Inspiração

Inspiração, para mim, está nos detalhes do quotidiano. No silêncio da manhã, no sorriso espontâneo de alguém na rua, na forma como a luz entra pela janela. São pequenas coisas que despertam grandes sentimentos.

Inspira -me a arte — uma música que toca fundo, um livro que me faz pensar, uma pintura que me faz sentir. Inspira-me a natureza, com a sua calma e força, o seu ritmo que não se apressa, mas nunca falha.

Inspiram-me também as pessoas: aquelas que enfrentam dificuldades com coragem, que persistem mesmo quando tudo parece difícil, que espalham gentileza sem esperar nada em troca.

Acima de tudo, inspira-me a ideia de que posso crescer, melhorar, e contribuir com o mundo à minha maneira. Cada novo dia é uma oportunidade de aprender algo novo, de criar, de sonhar. E é isso que me move.


quarta-feira, 4 de junho de 2025

Não tenho paciência para...

Eu não tenho paciência para explicações longas demais, para pessoas que complicam o que é simples, para filas intermináveis, para quem fala e não faz.

Não tenho paciência para promessas vazias, para o ego inflado disfarçado de humildade, para a pressa que atropela o presente.

Não tenho paciência para jogos emocionais, para conversa fiada, para quem chega atrasado e ainda acha graça.

Não tenho paciência para o barulho excessivo, para o drama desnecessário, para o “depois a gente vê”.

A minha paciência é selectiva: está guardada para quem vale a pena.


sexta-feira, 30 de maio de 2025

Silêncio e bem-estar

Vivemos num mundo cada vez mais barulhento — sons de trânsito, notificações constantes, conversas, ruídos urbanos. No meio dessa agitação sonora, o silêncio torna-se um recurso valioso e necessário para a saúde mental e emocional.

O silêncio não é apenas a ausência de ruído, mas uma oportunidade de reconexão consigo mesmo. Permite que a mente desacelere, que os pensamentos se organizem e que as emoções sejam processadas com mais clareza. Estudos mostram que períodos regulares de silêncio podem reduzir os níveis de stresse, melhorar a concentração e até fortalecer o sistema imunológico.

Além disso, o silêncio favorece a criatividade. Ao afastar -se do excesso de estímulos, o cérebro entra num estado de repouso activo, onde ideias e soluções inovadoras podem surgir com mais naturalidade. É nesse espaço de quietude que muitas pessoas encontram inspiração.

Do ponto de vista físico, momentos silenciosos também estão associados à redução da pressão arterial, melhora do sono e sensação geral de relaxamento. Incorporar pequenos intervalos de silêncio no quotidiano — como uma caminhada tranquila, a prática da meditação ou simplesmente desligar os aparelhos por alguns minutos — pode ter um impacto profundo e duradouro no bem-estar.

Num tempo onde o ruído parece dominar tudo, redescobrir o valor do silêncio é um acto de autocuidado e equilíbrio.


quinta-feira, 29 de maio de 2025

A arte de não fazer nada

Vivemos numa era que glorifica a produtividade. Fazer, produzir, entregar, optimizar. Parar passou a ser visto como preguiça ou culpa. Mas há uma beleza subtil e profunda na arte de não fazer nada.

Não se trata de procrastinação ou fuga. É um estado de presença. De permitir-se simplesmente existir. Sentar-se à sombra de uma árvore, observar o movimento das nuvens, ouvir o silêncio ou o barulho da cidade sem tentar dominá-lo. Estar ali, inteiro, sem plano, sem cobrança.

Neste vazio, a mente respira. As ideias brotam sem esforço. O corpo desacelera, e a alma agradece. É nesse intervalo — entre uma tarefa e outra — que muitas vezes surgem os maiores insights, a verdadeira criatividade, a reconexão consigo mesmo.

A arte de não fazer nada é, na verdade, uma prática profunda de liberdade. Um lembrete de que o nosso valor não está no que fazemos, mas no que somos — mesmo quando não estamos a fazer absolutamente nada.


quarta-feira, 28 de maio de 2025

Gestos que mudam o dia

Às vezes, um pequeno gesto tem poder de transformar completamente o dia de alguém — e também o nosso. Não é preciso muito: um sorriso sincero, um “bom dia” caloroso, ou um elogio inesperado podem criar uma corrente de gentileza que se espalha.

Segurar a porta para quem vem atrás, oferecer ajuda sem ser solicitado, mandar uma mensagem para alguém a dizer que está com saudade — são atitudes simples, mas carregadas de significado. Em tempos de pressa e distracção, lembrar do outro é um acto quase revolucionário.

Espalhar gentileza é fácil, gratuito e faz bem. Que tal começar hoje?

terça-feira, 27 de maio de 2025

No tempo em que não havia telemóvel

 No tempo em não havia telemóvel, combinava-se um encontro e cumpria-se. Sabíamos de cor os números de telefone dos amigos, da avó e da mercearia. As conversas eram olhos nos olhos, sem notificações a interromper. As fotografias ficavam na cabeça e os momentos no coração. Escreviam-se cartas, esperava-se dias por uma resposta - e, ainda assim,, a ansiedade era bonita. Havia mais presença e menos pressa. O tempo parecia render mais, mesmo quando não se fazia nada. E, talvez por isso, as memórias desse tempo parecem sempre mais cheias, mais vivas.

segunda-feira, 26 de maio de 2025

Invasão do espaço

 Não é fácil lidar com a falta de respeito, ainda mais quando vem de pessoas que podem não gostar de ti, podem até não te aceitar, mas o respeito é a base. A dor de se ser constantemente desvalorizado, ignorado, tratado como se fossemos crianças e o nosso espaço invadido é real.

quando não há respeito por mim, pela minha família e pelos nossos limites, isso deixa marcas. O convívio torna-se difícil. É frustrante perceber que, apesar do esforço para manter a paz e o respeito, o retorno é desprezo ou atitudes invasivas.

Não se trata de esperar perfeição. Trata-se de exigir o mínimo: respeito. Respeito pela forma como vivemos, pelas escolhas que fazemos, pelas nossas prioridades. É possível discordar e conviver sem ultrapassar limites.

O espaço que construí com a minha família merece ser protegido. E, mesmo que doa, às vezes é preciso impor distância de quem não sabe oferecer o básico: consideração.

domingo, 25 de maio de 2025

Porque hoje é domingo

  É domingo e parece que o tempo passa mais devagar. É o dia oficial da preguiça,  do café demorado, do almoço da mãe e da sobremesa. É o dia de andar em pijama e ninguém se importa. A sesta é opcional mas com este calor, após um bom almoço na melhor companhia, os olhos começam a fechar.

Amanhã é segunda, é inevitável este pensamento... porém, até lá viva o sofá, o controlo remoto, os livros e a arte de não fazer nada.

Feliz domingo.

sábado, 24 de maio de 2025

10 momentos de felicidade

 Os dez momentos de felicidade:

1 - Família

2 - Ler

3 - Ouvir música 

4 - Experimentar uma nova receita

5 - Sentir o sol no rosto, principalmente num dia frio

6- Uma caneca de chá

7 - Rir até doer a barriga

8 - Ter tempo só para mim

9 - Dormir em lençóis lavados

10 - Sentir cheiros que me trazem boas lembranças

(Há excepção do n.º 1, todas as outras foram escritas de forma aleatória).

sexta-feira, 21 de março de 2025

Dias de chuva

 Gosto de um dia de chuva, daquela chuva certinha e calma, que vai molhando a terra lentamente e não faz estragos. Gosto de estar em casa nesses dias, de pôr uma manta nas pernas, ler um livro, na companhia de uma chávena de chá quente. Gosto de ouvir a chuva e do cheiro da terra molhada.

Não gosto do tempo destes últimos dias, não gosto de vento e chuva fortes, que estragam, que magoam, que tiram vidas. Perante o cenário actual, sinto-me um pequeno ser incapaz seja do que for perante a fúria da natureza. Estás situações deveriam levar-nos a pensar no que realmente vale a pena e deixarmo-nos de conflitos, sejam eles quais forem.


segunda-feira, 10 de fevereiro de 2025

O diabo do Alfusqueiro

 " Nem sempre o Demo leva a melhor com o Homem, sobretudo se este tiver a ajudazinha de uma fada. Pois esta é a lenda daquela velha ponte de cantaria sobre o Alfusqueiro, afluente do Rio Águeda, no Caramulo. Poderíamos até dizer que é de um tempo em que o Diabo ainda precisava de andar pela terra a negociar almas. Assim, se naquela passagem era imprescindível para os que atravessavam a serrania, meteu-se um cristão a fazê-la, mas na hora da arrancada deu-se conta da temeridade que a obra envolvia. Eis, surge-lhe o Diabo em pessoa a dizer-lhe que ele mesmo se encarregaria de fazer a ponte, ele e os seus demónios. Porém, havia a questão do pagamento. Pois este consistiria na alma do cristão. A obra ficaria pronta à meia-noite do dia de Natal desse ano, ao cantar do galo. Contrato escrito, foi este assinado com o próprio sangue do homem.

Mas o cristão, conforme via o andamento da obra, aliás de magnífica arquitectura, começava a ficar pesaroso do negócio que fizeram. E a quem aparece o Diabo porque não há-de aparecer uma fada boa? Foi o que terá acontecido. Uma fada esperta ensinou ao homem maneira de se livrar do compromisso, não deixando de ficar com a ponte feita! Neste sentido, a fada deu ao cristão um ovo disse-lhe:

- A obra ficará pronta à meia-noite em ponto. Está atento aos últimos trabalhos e logo que vejas o Diabo colocar a última pedra atira o ovo pela ponte fora e vais ver que tudo corre bem.

E conta a lenda que quando o Diabo e os seus demónios estavam a colocar a pedra do remate, o cristão atirou o ovo ao longo do tabuleiro da ponte e este rolou até que bateu numa pedra e que se quebrou. De dentro dele saiu um belo galo, excelente de plumagem, que começou logo a cantar, antecipando a meia-noite. E assim, por segundos, o Diabo do Alfusqueiro perdeu a aposta. E sabem que mais? A ponte lá está, podem ir experimentá-la num passeio por aquelas bandas aguedenses da Serra do Caramulo. O Diabo dizem que deu um estouro tal que nunca mais por ali passou!

Ah,  mas não se fica ppor aqui o espólio lendário de Águeda, pois logo no lugar do Sardão, que ainda pertence à freguesia da cabeça do concelho,  há o Medo dos Abadinhos, onde aparecem dois bizarros grupos que constituem o terror das criancinhas: ou a porca com pintainhos ou a galinha com porquinhos. E estes sustos não são só prometidos por aqui, que há outros pontos do país onde os mais velhos ameaçam com eles a felicidade das criancinhas, sobretudo quando se portam mal...

Bem, já agora, fechemos com o feito da Ti Águeda. Pois numa margem do rio a quem ela dava, ou de quem ela tomava, o nome, havia uma cabana de pescadores e na outra uma cabana de pastores. Ponte então não a havia, e a corrente separava dois jovens que se enamoraram. Pois a Ti Águeda, enternecendo-se com aquele amor, dispôs as suas artes mágicas no arrumar das poldras, de modo a permitir a livre aproximação dos lábios que se queriam beijar!"


Viale Moutinho, Lendas de Portugal. Diário de Notícias 

sábado, 18 de janeiro de 2025

Lenda: "Senhora dos Aflitos"

 (...), nos arredores de Abrantes, num largo à saída da Estrada Velha, quando está entronca com a Estrada Nova, a caminho de Alvega, há uma pequena capela, propriedade particular, sempre fechada a sete chaves, conhecida como do culto do Senhor dos Aflitos. Esmolas de azeite e em dinheiro afluem com cerca regularidade e muita devoção. E a lenda não terá ainda um par de séculos. Pois diz-me que um homem dessa família (...) passando a cavalo e com a sua matilha por aquele lugar foi assaltado por uma alcateia. Os lobos seriam muitos e esfaimados, a ponto de terem acabado com os cães do viajante. Este, impotente para enfrentar as feras, apelou ao Senhor dos Aflitos e a alcateia afastou-se, deixando-o incólume. Emocionado e grato, o cavaleiro logo ali mandou erguer aquele templozinho. (...) Diz o povo que as gentes com problemas nos negócios, dinheiro, mas também de saúde e de amor - Aflitos de um modo geral! - ali acorrem a fazer e a pagar as suas promessas. Falámos em Alvega, e vamos agora a Areia - Casa Branca, na margem esquerda da ribeira da Represa, um pouco abaixo das ruínas do pequeno monumento romano, perto da ponta e estrada 118. Passava ali a via romana, que de Abrantes ia para Alvega, Gavião, Arronches, até Mérida. Ora naquele sítio é a Buraca da Moura, seja uma fenda que não escapa à lenda!

E a lenda conta que naquela Buraca vivia, uma bela moura, naturalmente encantada. Apenas saía de noite, para cantar as suas tristezas. Ora também é voz corrente que naquela Buraca começa um túnel que, passando sob a ribeira, alcança a margem direita da Represa e vai dar a algures, a alguns quilómetros dali. Só que a memória popular perdeu a localização dessa saída e já ninguém se arrisca a fazer o túnel por dentro. Uma vez, um pastor terá dito que ali, junto à Buraca a Moura, lhe desapareceu uma cabra e só deu com ela bastante longe, lembrando-se do túnel. Mas também não deu com a outra saída - ou entrada! (...)"




Fonte: Visor Moutinho, Lendas de Portugal. Diário de Notícias, 2003.

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