O outono chega sempre com uma paleta de cores quentes e sabores únicos. É a estação em que a natureza abranda, as folhas caem, e as árvores nos oferecem algumas das frutas mais curiosas e ricas da época: marmelos, dióspiros e romãs.
O marmelo, com o seu aroma inconfundível e textura firme, é uma dessas frutas que dividem opiniões. Tradicionalmente, é cozinhado para fazer marmelada — doce típico das casas portuguesas, muitas vezes guardado em potes e coberto com papel vegetal. Mas confesso: eu gosto de marmelos crus. Sim, crus! Cortados em fatias fininhas, com aquela acidez viva e o toque áspero na boca — há algo de autêntico e puro nesse sabor, quase esquecido por quem só os conhece em forma de doce.
Já o dióspiro é, para muitos, o símbolo do outono. Laranja, macio e doce, é amado por uns e rejeitado por outros — e eu fico no segundo grupo. Não como dióspiro. Nunca me conquistou a textura, nem o sabor demasiado maduro. Mas admito: é uma fruta bonita de se ver, com aquele brilho de sol de fim de tarde.
E há ainda a romã, rainha discreta da estação. Por fora, parece austera; por dentro, é um universo de pequenas joias vermelhas, doces e ligeiramente ácidas. Comer romãs é quase um ritual — abrir, separar, saborear — um exercício de paciência recompensado pela explosão de frescura.
O outono é isto: uma mistura de sabores intensos, de contrastes e preferências. Entre o amargo e o doce, o suave e o ácido, há sempre uma fruta que fala connosco.
Sem comentários:
Enviar um comentário