Há dias em que acordo a sentir-me poderosa. Penteio o cabelo, ponho rímel, visto uma roupa gira e penso: “Hoje sim, hoje vou conquistar o mundo.”
Depois o mundo começa a responder — o autocarro atrasa-se, o café vem morno, o chefe manda um e-mail com “urgente” no assunto e o gato vomita em cima da minha mala.
Ser mulher moderna é isto: um equilíbrio instável entre o “tenho tudo sob controlo” e o “vou emigrar para uma cabana no Gerês sem Wi-Fi”.
As revistas dizem que devemos ser independentes e confiantes. Eu digo que, se consegui chegar ao fim do dia sem ameaçar ninguém e com o cabelo ainda preso num elástico, já é vitória.
Aprendi que o segredo da felicidade é simples: ter expectativas baixas. Assim, quando o jantar fica intragável, chamamos “fusão culinária”. Quando o namorado esquece o aniversário, é “minimalismo emocional”. E quando alguém nos diz “estás diferente”, respondemos “é o filtro da vida real”.
Resumindo: sobrevivemos. E com um certo estilo — mesmo que esse estilo envolva pantufas e uma caneca de chá às 22h.
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