Vivemos tempos em que tudo parece ter de ser mostrado. Até os livros que lemos. Publicam-se fotos de capas, sublinhados meticulosamente escolhidos, pilhas de leituras estrategicamente organizadas. Lê-se, sim — mas por vezes mais para acumular gostos e visualizações do que para realmente mergulhar na leitura.
Ler muito não é sinónimo de ler bem. Não importa tanto quantas páginas se viram, mas o que se retém, o que se sente, o que se transforma cá dentro. Há quem leia devagar, saboreando cada frase. Outros preferem devorar livros em série. Ambos são leitores — mas a qualidade da leitura não se mede em números.
A leitura devia ser um acto íntimo, silencioso, quase secreto. Um espaço de liberdade, não de exibição. Ler por prazer, por curiosidade, por inquietação. Ler porque se quer saber mais, viver mais, pensar melhor. E não porque se quer mostrar que se leu.
Não há mal nenhum em partilhar o que nos apaixona — pelo contrário. Mas que a leitura não se torne apenas mais um palco. Que continue a ser, acima de tudo, uma viagem interior.
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