segunda-feira, 10 de fevereiro de 2025

O diabo do Alfusqueiro

 " Nem sempre o Demo leva a melhor com o Homem, sobretudo se este tiver a ajudazinha de uma fada. Pois esta é a lenda daquela velha ponte de cantaria sobre o Alfusqueiro, afluente do Rio Águeda, no Caramulo. Poderíamos até dizer que é de um tempo em que o Diabo ainda precisava de andar pela terra a negociar almas. Assim, se naquela passagem era imprescindível para os que atravessavam a serrania, meteu-se um cristão a fazê-la, mas na hora da arrancada deu-se conta da temeridade que a obra envolvia. Eis, surge-lhe o Diabo em pessoa a dizer-lhe que ele mesmo se encarregaria de fazer a ponte, ele e os seus demónios. Porém, havia a questão do pagamento. Pois este consistiria na alma do cristão. A obra ficaria pronta à meia-noite do dia de Natal desse ano, ao cantar do galo. Contrato escrito, foi este assinado com o próprio sangue do homem.

Mas o cristão, conforme via o andamento da obra, aliás de magnífica arquitectura, começava a ficar pesaroso do negócio que fizeram. E a quem aparece o Diabo porque não há-de aparecer uma fada boa? Foi o que terá acontecido. Uma fada esperta ensinou ao homem maneira de se livrar do compromisso, não deixando de ficar com a ponte feita! Neste sentido, a fada deu ao cristão um ovo disse-lhe:

- A obra ficará pronta à meia-noite em ponto. Está atento aos últimos trabalhos e logo que vejas o Diabo colocar a última pedra atira o ovo pela ponte fora e vais ver que tudo corre bem.

E conta a lenda que quando o Diabo e os seus demónios estavam a colocar a pedra do remate, o cristão atirou o ovo ao longo do tabuleiro da ponte e este rolou até que bateu numa pedra e que se quebrou. De dentro dele saiu um belo galo, excelente de plumagem, que começou logo a cantar, antecipando a meia-noite. E assim, por segundos, o Diabo do Alfusqueiro perdeu a aposta. E sabem que mais? A ponte lá está, podem ir experimentá-la num passeio por aquelas bandas aguedenses da Serra do Caramulo. O Diabo dizem que deu um estouro tal que nunca mais por ali passou!

Ah,  mas não se fica ppor aqui o espólio lendário de Águeda, pois logo no lugar do Sardão, que ainda pertence à freguesia da cabeça do concelho,  há o Medo dos Abadinhos, onde aparecem dois bizarros grupos que constituem o terror das criancinhas: ou a porca com pintainhos ou a galinha com porquinhos. E estes sustos não são só prometidos por aqui, que há outros pontos do país onde os mais velhos ameaçam com eles a felicidade das criancinhas, sobretudo quando se portam mal...

Bem, já agora, fechemos com o feito da Ti Águeda. Pois numa margem do rio a quem ela dava, ou de quem ela tomava, o nome, havia uma cabana de pescadores e na outra uma cabana de pastores. Ponte então não a havia, e a corrente separava dois jovens que se enamoraram. Pois a Ti Águeda, enternecendo-se com aquele amor, dispôs as suas artes mágicas no arrumar das poldras, de modo a permitir a livre aproximação dos lábios que se queriam beijar!"


Viale Moutinho, Lendas de Portugal. Diário de Notícias 

sábado, 18 de janeiro de 2025

Lenda: "Senhora dos Aflitos"

 (...), nos arredores de Abrantes, num largo à saída da Estrada Velha, quando está entronca com a Estrada Nova, a caminho de Alvega, há uma pequena capela, propriedade particular, sempre fechada a sete chaves, conhecida como do culto do Senhor dos Aflitos. Esmolas de azeite e em dinheiro afluem com cerca regularidade e muita devoção. E a lenda não terá ainda um par de séculos. Pois diz-me que um homem dessa família (...) passando a cavalo e com a sua matilha por aquele lugar foi assaltado por uma alcateia. Os lobos seriam muitos e esfaimados, a ponto de terem acabado com os cães do viajante. Este, impotente para enfrentar as feras, apelou ao Senhor dos Aflitos e a alcateia afastou-se, deixando-o incólume. Emocionado e grato, o cavaleiro logo ali mandou erguer aquele templozinho. (...) Diz o povo que as gentes com problemas nos negócios, dinheiro, mas também de saúde e de amor - Aflitos de um modo geral! - ali acorrem a fazer e a pagar as suas promessas. Falámos em Alvega, e vamos agora a Areia - Casa Branca, na margem esquerda da ribeira da Represa, um pouco abaixo das ruínas do pequeno monumento romano, perto da ponta e estrada 118. Passava ali a via romana, que de Abrantes ia para Alvega, Gavião, Arronches, até Mérida. Ora naquele sítio é a Buraca da Moura, seja uma fenda que não escapa à lenda!

E a lenda conta que naquela Buraca vivia, uma bela moura, naturalmente encantada. Apenas saía de noite, para cantar as suas tristezas. Ora também é voz corrente que naquela Buraca começa um túnel que, passando sob a ribeira, alcança a margem direita da Represa e vai dar a algures, a alguns quilómetros dali. Só que a memória popular perdeu a localização dessa saída e já ninguém se arrisca a fazer o túnel por dentro. Uma vez, um pastor terá dito que ali, junto à Buraca a Moura, lhe desapareceu uma cabra e só deu com ela bastante longe, lembrando-se do túnel. Mas também não deu com a outra saída - ou entrada! (...)"




Fonte: Visor Moutinho, Lendas de Portugal. Diário de Notícias, 2003.

sábado, 14 de dezembro de 2024

Sexta-feira 13

 Ontem foi sexta-feira, dia 13. Para alguns dia de azar, para outros dias de sorte. Gosto do dia 13 e gosto de sextas 13. E ontem não foi excepção.

Por motivos que não interessam para nada, ontem foi dia de folga cá por casa e foi um dia fantástico.

Para começar o dia fomos visitar alguns amigos e deixar um pequeno mimo que demonstrou a nossa amizade e gratidão. Um feliz Natal e muita saúde para todos vós, principalmente para a I.

Depois, muito nervosos lá fomos para o segundo ponto da agenda do dia. Estávamos a tentar prepararmo-nos para notícias menos boas e voilà notícias excelentes e luz verde para avançarmos para a realização do nosso sonho. Queremos acreditar que 2025 vai ser o nosso ano. Obrigada, obrigado, toda a gratidão 🙏.

Pouco depois nova boa notícia. Querida avó está tudo bem. Que alegria ter-te connosco e obrigada pela tua força de viver.

À tarde, mais uma alegria para aquele familiar que irá iniciar o merecido descanso com a entrada na reforma. Saúde e longa vida para desfrutar desta nova fase, que todos sabíamos há muito desejada.

Sexta-feira 13 é dia de azar? Definitivamente, não. 😄🍀

A sentir gratidão e amor.

Amizade!?

Sabem aquelas amizades do tempo de escola, aquelas em que falávamos de tudo, em que passávamos fins-de-semana em casa uns dos outros, mesmo com a ida para a universidade e a entrada no mundo do trabalho, continuavam firmes? Aquelas amizades em que se partilhavam alegrias e tristezas, íamos aos casamentos, aos baptizados,...

Pois é, tive uma "amizade" dessas. Um dia essa "amiga" e o marido ficaram desempregados e eu tinha um emprego em que contactava várias empresas e raro era o dia que este casal não me ligava, não me pedia ajuda, suplicava pelos filhos. E eu ajudei e tudo parecia correr normalmente. Até que um dia o desemprego bateu à minha porta. Nesse dia, a tal "amizade" revelou-se. O telefone deixou de tocar, deixaram de estar disponíveis e não podiam ajudar.

Pois, mas eu nunca lhes pedi para me arranjarem emprego (eles pediram), eu nunca lhes pedi para me comprarem comida (eles pediram). Eu pedi apoio moral e tive, sim tive dos meus queridos e amados pais, da minha restante família, dos amigos verdadeiros e do marido (na altura namorado) e da sua família. 

Deste casal "amigo" nada sei, não quero saber. Eu estou bem, sou feliz e estou numa fase da vida em que só me preocupo com as pessoas que amo e, em primeiro lugar, com a família, o meu pilar, o meu porto de abrigo.

Quem ler este texto poderá pensar o que é que isto lhe interessa. Não interessa para nada, mas o objectivo não é ser interessante, é ser um espaço onde escrevo o que me apetecer. Escrevo para mim e para quem quiser ler e provavelmente, algumas pessoas irão identificar-se porque infelizmente já muitas pessoas se cruzaram com falsos amigos. E, acredito que esses falsos amigos também já lhes aconteceu o mesmo.

O importante é dar a volta por cima, esquecer, seguir em frente com a consciência tranquila e ser feliz.

Sejam felizes. Eu sou.

sábado, 30 de novembro de 2024

Chá

 Sem dúvida nenhuma que depois dá água, o chá é a minha bebida preferida. É raro o dia em que não bebo, seja o dos pacotes ou o das plantas que temos nos nossos jardins ou que compramos nos supermercados ou ervanárias. Gosto de chá acabado de fazer, ainda quentinho ou mesmo frio. Gosto de chá com pão, com bolachas, com bolo, sem acompanhamento. Gosto de chá.

Quando alguém nos dá chá gosto de o arranjar.  Cortar as folhas frescas, secá-las e guardá-las nos respectivos frascos. Gosto de organizar os frascos e experimentar novos sabores.

O meu sonho é um dia ter um canteiro onde possa ter chá e ervas aromáticas. E outro para as suculentas.

Bom fim-de-semana.


domingo, 24 de novembro de 2024

Saudar

 A semana passada comemorou-se o dia do Olá. Cresci numa vila pequena onde todas (quase todas) as pessoas se cumprimentam. Em determinada altura trabalhei algum tempo em Lisboa e deslocava-me de autocarro e, sempre achei curiosa a atitude dos motoristas quanto eu entrava e dizia bom dia ou boa tarde. Uns não respondiam, outros ficavam admirados e outros respondiam com um sorriso.

Desde a infância que me habituei a cumprimentar e acredito que há palavras que ajudam a melhorar o nosso dia e o de quem connosco se cruza. Bom dia, boa tarde, bom fim-de-semana, obrigada, se faz favor, desculpe fazem toda a diferença.

E um bom dia acompanhado de um sorriso ajuda a melhorar a vida de todos nós.

Tenham um bom dia. 😀

domingo, 17 de novembro de 2024

Mandalas e não só

 Sou do tempo em que na escola havia uma disciplina de Trabalhos Manuais e outra de Educação Visual. Eu não tinha jeito nenhum para trabalhos manuais, nem para desenhar ou pintar. Era uma desgraça. Os anos passaram, saí da escola, comecei a trabalhar e estás áreas ficaram esquecidas. Confesso que foi um alívio quando deixei de ter estas disciplinas.

No entanto, sempre gostei de artesanato. Gosto de ver pessoas que fazem obras de arte com as suas mãos e admiro a sua imaginação.

Eis que um dia, tudo mudou e nesse tudo, também mudei de emprego e comecei a trabalhar com crianças. E foi neste momento que descobri que, agora, também eu gosto de trabalhos manuais, de desenhar e pintar. Claro que a internet dá uma ajuda enorme. 

Agora é ver-me a ter ideias para trabalhos e até em casa: entre bijuterias, bordados, descobri o quanto ficou calma ao pintar mandalas.

Gratidão

 Durante muito tempo, acreditou-se que o sucesso exigia renúncias. Que crescer profissionalmente implicava sacrificar tempo, energia e, tant...