sábado, 25 de julho de 2026

Quando um grupo de mães deixa de ser um porto seguro

Ser mãe pela primeira vez é embarcar numa viagem sem mapa. Entre noites mal dormidas, dúvidas constantes e uma avalanche de emoções, muitas mulheres procuram apoio em grupos de mães. A promessa é simples: encontrar compreensão, partilhar experiências e sentir que não estamos sozinhas.

Foi exactamente isso que fiz.

No início, aquele grupo parecia um verdadeiro refúgio. Havia sempre alguém disposto a responder a uma pergunta, a dar uma palavra de incentivo ou a contar uma história semelhante. Criavam-se amizades, trocavam-se mensagens diariamente e acreditava-se que aquele era um espaço seguro, onde todas remavam para o mesmo lado.

Mas, com o passar do tempo, comecei a perceber que nem tudo era tão genuíno como parecia.

Como em qualquer grupo, existiam aspectos muito positivos. Aprendi imenso sobre maternidade, descobri soluções para pequenas dificuldades do dia-a-dia e encontrei mães que enfrentavam exactamente os mesmos receios que eu. Saber que não era a única a sentir-me perdida foi, durante algum tempo, reconfortante.

No entanto, também havia o outro lado.

As diferenças de opinião rapidamente se transformavam em críticas. Algumas mães julgavam escolhas que eram puramente pessoais, desde a alimentação ao sono dos bebés, passando pela forma de educar. A empatia começava a dar lugar à competição silenciosa: quem fazia melhor, quem sabia mais, quem era a "mãe perfeita".

O momento que mais me desiludiu aconteceu quando uma das mães decidiu abandonar o grupo. Em vez de respeitarem a sua decisão, algumas pessoas que até então pareciam grandes amigas começaram a fazer comentários desagradáveis, mal educados e completamente desnecessários sobre ela. Aquela mudança de atitude foi um choque. Bastou alguém virar costas para que surgissem críticas, insinuações e até piadas de mau gosto.

Foi aí que percebi que aquele ambiente já não era saudável.

Se eram capazes de falar assim de alguém que já não estava presente, provavelmente também o fariam sobre qualquer outra pessoa. Inclusive sobre mim.

Nessa altura tive de fazer uma escolha: alimentar a revolta ou simplesmente ignorar.

Optei pela segunda hipótese.

Nem sempre é fácil ignorar comentários injustos ou atitudes mesquinhas, sobretudo numa fase da vida em que a sensibilidade está à flor da pele. Mas aprendi que nem todas as batalhas merecem a nossa energia. Há pessoas que vivem do conflito e da necessidade de apontar o dedo aos outros. Eu não queria fazer parte disso.

Afastei-me emocionalmente daquele ambiente, deixei de dar importância às conversas tóxicas e concentrei-me no que realmente importava: o meu bebé, a minha família e a minha paz.

Hoje olho para trás sem arrependimentos. Os grupos de mães podem ser uma excelente ferramenta de apoio quando existe respeito, empatia e entreajuda. Mas também podem tornar-se espaços de julgamento, onde a crítica substitui a solidariedade.

A maternidade já é suficientemente desafiante para ainda carregarmos o peso da opinião de quem escolhe diminuir os outros.

Aprendi que nem todas as pessoas que sorriem são amigas e que o silêncio, muitas vezes, é a resposta mais inteligente. Ignorar a negatividade não é sinal de fraqueza; é uma forma de proteger a nossa saúde mental e de escolher viver a maternidade com mais serenidade.

No fim de contas, a única aprovação de que uma mãe realmente precisa é a consciência tranquila de estar a fazer o melhor que consegue pelo seu filho.

Grupos de mães no WhatsApp: entre a entreajuda, o caos e as relações humanas

Há quem lhes chame uma bênção. Outros preferem dizer que são um mal necessário. Os grupos de mães no WhatsApp fazem hoje parte da rotina de milhares de famílias, sobretudo quando os filhos entram na creche ou na escola. Criados, muitas vezes, com a intenção de facilitar a comunicação entre pais, rapidamente se transformam em pequenos retratos da sociedade, onde convivem solidariedade, ansiedade, amizade, conflitos e, por vezes, alguma falta de bom senso.

Na sua melhor versão, estes grupos são uma verdadeira rede de apoio. Há sempre alguém disponível para esclarecer uma dúvida sobre um trabalho de casa, recordar uma data importante, avisar que a criança se esqueceu da mochila ou partilhar informações úteis sobre actividades escolares. Para muitas mães, especialmente aquelas que conciliam horários exigentes ou que não têm uma rede familiar próxima, estes grupos representam um conforto. Saber que existe alguém do outro lado disposto a ajudar pode fazer toda a diferença.

Mas, como acontece em qualquer comunidade, nem tudo é positivo.

Basta alguns dias para perceber que existem dinâmicas muito próprias. Há quem fale constantemente e transforme qualquer assunto numa longa conversa. Há quem responda a tudo, mesmo quando ninguém perguntou directamente. E há também aquelas mães que acabam por assumir, quase sem se aperceberem, uma posição dominante, conduzindo os temas, emitindo opiniões sobre tudo e esperando que os restantes acompanhem o ritmo.

No extremo oposto estão as mães silenciosas. Lêem as mensagens, acompanham as conversas, mas raramente intervêm. Algumas fazem-no por timidez, outras porque simplesmente não têm tempo ou porque receiam ser mal interpretadas. Muitas vezes, quando finalmente colocam uma questão, esta perde-se no meio de dezenas de mensagens sobre outros assuntos e acaba por ficar sem resposta. Não porque alguém queira ignorá-las deliberadamente, mas porque o volume de conversas torna fácil esquecer quem fala menos.

Esta diferença entre quem domina e quem quase não existe nas conversas acaba por espelhar muitas das relações sociais fora do mundo digital. Nem sempre quem fala mais tem mais razão. Nem sempre quem está calado tem menos para dizer.

Outro desafio frequente é a empatia. Atrás de um ecrã, é fácil responder de forma impulsiva. Uma frase escrita sem intenção pode soar arrogante ou agressiva. Um comentário aparentemente inocente pode ser interpretado como uma crítica. E basta um mal-entendido para criar um ambiente desconfortável que, muitas vezes, acaba por se reflectir nos encontros presenciais à porta da escola.

O respeito torna-se, por isso, uma das bases fundamentais para que estes grupos funcionem. Respeitar opiniões diferentes, aceitar que nem todas as famílias vivem as mesmas realidades e evitar julgamentos rápidos são atitudes que ajudam a construir um espaço mais saudável. Afinal, ninguém conhece verdadeiramente os desafios que os outros enfrentam.

Também é importante lembrar que um grupo de WhatsApp não substitui a comunicação oficial da escola nem deve servir para alimentar rumores, críticas constantes ou discussões pessoais. Quando isso acontece, aquilo que nasceu para simplificar acaba por complicar ainda mais o dia-a-dia de todos.

Existe igualmente um fenómeno curioso: a pressão invisível. Muitas mães sentem necessidade de responder rapidamente para não parecerem desinteressadas. Outras ficam ansiosas perante centenas de mensagens acumuladas durante o horário de trabalho. Há quem sinta culpa por não participar e quem, pelo contrário, opte por silenciar o grupo durante meses para preservar alguma tranquilidade.

O impacto destes grupos na vida das famílias depende muito da forma como são utilizados. Podem aproximar pessoas, criar amizades inesperadas e fortalecer o espírito de comunidade. Mas também podem aumentar o stress, alimentar comparações entre crianças, gerar conflitos desnecessários e consumir um tempo precioso.

No fundo, um grupo de mães no WhatsApp é apenas uma ferramenta. Não é bom nem mau por si só. Tudo depende das pessoas que o integram e da forma como escolhem comunicar.

Talvez a verdadeira lição seja esta: por detrás de cada fotografia de perfil existe uma mãe cansada, preocupada, ocupada e a fazer o melhor que consegue. Se todos nos lembrássemos disso antes de escrever uma mensagem, responder de forma impulsiva ou ignorar quem participa menos, estes grupos poderiam cumprir melhor o seu verdadeiro propósito: criar uma comunidade baseada na ajuda, no respeito e na compreensão.

Porque, no final, nenhuma mãe precisa de um grupo onde se sinta julgada. Precisa, isso sim, de um espaço onde saiba que pode pedir ajuda sem receio e onde todas as vozes tenham, verdadeiramente, lugar.

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