sexta-feira, 21 de março de 2025

Dias de chuva

 Gosto de um dia de chuva, daquela chuva certinha e calma, que vai molhando a terra lentamente e não faz estragos. Gosto de estar em casa nesses dias, de pôr uma manta nas pernas, ler um livro, na companhia de uma chávena de chá quente. Gosto de ouvir a chuva e do cheiro da terra molhada.

Não gosto do tempo destes últimos dias, não gosto de vento e chuva fortes, que estragam, que magoam, que tiram vidas. Perante o cenário actual, sinto-me um pequeno ser incapaz seja do que for perante a fúria da natureza. Estás situações deveriam levar-nos a pensar no que realmente vale a pena e deixarmo-nos de conflitos, sejam eles quais forem.


segunda-feira, 10 de fevereiro de 2025

O diabo do Alfusqueiro

 " Nem sempre o Demo leva a melhor com o Homem, sobretudo se este tiver a ajudazinha de uma fada. Pois esta é a lenda daquela velha ponte de cantaria sobre o Alfusqueiro, afluente do Rio Águeda, no Caramulo. Poderíamos até dizer que é de um tempo em que o Diabo ainda precisava de andar pela terra a negociar almas. Assim, se naquela passagem era imprescindível para os que atravessavam a serrania, meteu-se um cristão a fazê-la, mas na hora da arrancada deu-se conta da temeridade que a obra envolvia. Eis, surge-lhe o Diabo em pessoa a dizer-lhe que ele mesmo se encarregaria de fazer a ponte, ele e os seus demónios. Porém, havia a questão do pagamento. Pois este consistiria na alma do cristão. A obra ficaria pronta à meia-noite do dia de Natal desse ano, ao cantar do galo. Contrato escrito, foi este assinado com o próprio sangue do homem.

Mas o cristão, conforme via o andamento da obra, aliás de magnífica arquitectura, começava a ficar pesaroso do negócio que fizeram. E a quem aparece o Diabo porque não há-de aparecer uma fada boa? Foi o que terá acontecido. Uma fada esperta ensinou ao homem maneira de se livrar do compromisso, não deixando de ficar com a ponte feita! Neste sentido, a fada deu ao cristão um ovo disse-lhe:

- A obra ficará pronta à meia-noite em ponto. Está atento aos últimos trabalhos e logo que vejas o Diabo colocar a última pedra atira o ovo pela ponte fora e vais ver que tudo corre bem.

E conta a lenda que quando o Diabo e os seus demónios estavam a colocar a pedra do remate, o cristão atirou o ovo ao longo do tabuleiro da ponte e este rolou até que bateu numa pedra e que se quebrou. De dentro dele saiu um belo galo, excelente de plumagem, que começou logo a cantar, antecipando a meia-noite. E assim, por segundos, o Diabo do Alfusqueiro perdeu a aposta. E sabem que mais? A ponte lá está, podem ir experimentá-la num passeio por aquelas bandas aguedenses da Serra do Caramulo. O Diabo dizem que deu um estouro tal que nunca mais por ali passou!

Ah,  mas não se fica ppor aqui o espólio lendário de Águeda, pois logo no lugar do Sardão, que ainda pertence à freguesia da cabeça do concelho,  há o Medo dos Abadinhos, onde aparecem dois bizarros grupos que constituem o terror das criancinhas: ou a porca com pintainhos ou a galinha com porquinhos. E estes sustos não são só prometidos por aqui, que há outros pontos do país onde os mais velhos ameaçam com eles a felicidade das criancinhas, sobretudo quando se portam mal...

Bem, já agora, fechemos com o feito da Ti Águeda. Pois numa margem do rio a quem ela dava, ou de quem ela tomava, o nome, havia uma cabana de pescadores e na outra uma cabana de pastores. Ponte então não a havia, e a corrente separava dois jovens que se enamoraram. Pois a Ti Águeda, enternecendo-se com aquele amor, dispôs as suas artes mágicas no arrumar das poldras, de modo a permitir a livre aproximação dos lábios que se queriam beijar!"


Viale Moutinho, Lendas de Portugal. Diário de Notícias 

sábado, 18 de janeiro de 2025

Lenda: "Senhora dos Aflitos"

 (...), nos arredores de Abrantes, num largo à saída da Estrada Velha, quando está entronca com a Estrada Nova, a caminho de Alvega, há uma pequena capela, propriedade particular, sempre fechada a sete chaves, conhecida como do culto do Senhor dos Aflitos. Esmolas de azeite e em dinheiro afluem com cerca regularidade e muita devoção. E a lenda não terá ainda um par de séculos. Pois diz-me que um homem dessa família (...) passando a cavalo e com a sua matilha por aquele lugar foi assaltado por uma alcateia. Os lobos seriam muitos e esfaimados, a ponto de terem acabado com os cães do viajante. Este, impotente para enfrentar as feras, apelou ao Senhor dos Aflitos e a alcateia afastou-se, deixando-o incólume. Emocionado e grato, o cavaleiro logo ali mandou erguer aquele templozinho. (...) Diz o povo que as gentes com problemas nos negócios, dinheiro, mas também de saúde e de amor - Aflitos de um modo geral! - ali acorrem a fazer e a pagar as suas promessas. Falámos em Alvega, e vamos agora a Areia - Casa Branca, na margem esquerda da ribeira da Represa, um pouco abaixo das ruínas do pequeno monumento romano, perto da ponta e estrada 118. Passava ali a via romana, que de Abrantes ia para Alvega, Gavião, Arronches, até Mérida. Ora naquele sítio é a Buraca da Moura, seja uma fenda que não escapa à lenda!

E a lenda conta que naquela Buraca vivia, uma bela moura, naturalmente encantada. Apenas saía de noite, para cantar as suas tristezas. Ora também é voz corrente que naquela Buraca começa um túnel que, passando sob a ribeira, alcança a margem direita da Represa e vai dar a algures, a alguns quilómetros dali. Só que a memória popular perdeu a localização dessa saída e já ninguém se arrisca a fazer o túnel por dentro. Uma vez, um pastor terá dito que ali, junto à Buraca a Moura, lhe desapareceu uma cabra e só deu com ela bastante longe, lembrando-se do túnel. Mas também não deu com a outra saída - ou entrada! (...)"




Fonte: Visor Moutinho, Lendas de Portugal. Diário de Notícias, 2003.

sábado, 14 de dezembro de 2024

Sexta-feira 13

 Ontem foi sexta-feira, dia 13. Para alguns dia de azar, para outros dias de sorte. Gosto do dia 13 e gosto de sextas 13. E ontem não foi excepção.

Por motivos que não interessam para nada, ontem foi dia de folga cá por casa e foi um dia fantástico.

Para começar o dia fomos visitar alguns amigos e deixar um pequeno mimo que demonstrou a nossa amizade e gratidão. Um feliz Natal e muita saúde para todos vós, principalmente para a I.

Depois, muito nervosos lá fomos para o segundo ponto da agenda do dia. Estávamos a tentar prepararmo-nos para notícias menos boas e voilà notícias excelentes e luz verde para avançarmos para a realização do nosso sonho. Queremos acreditar que 2025 vai ser o nosso ano. Obrigada, obrigado, toda a gratidão 🙏.

Pouco depois nova boa notícia. Querida avó está tudo bem. Que alegria ter-te connosco e obrigada pela tua força de viver.

À tarde, mais uma alegria para aquele familiar que irá iniciar o merecido descanso com a entrada na reforma. Saúde e longa vida para desfrutar desta nova fase, que todos sabíamos há muito desejada.

Sexta-feira 13 é dia de azar? Definitivamente, não. 😄🍀

A sentir gratidão e amor.

Amizade!?

Sabem aquelas amizades do tempo de escola, aquelas em que falávamos de tudo, em que passávamos fins-de-semana em casa uns dos outros, mesmo com a ida para a universidade e a entrada no mundo do trabalho, continuavam firmes? Aquelas amizades em que se partilhavam alegrias e tristezas, íamos aos casamentos, aos baptizados,...

Pois é, tive uma "amizade" dessas. Um dia essa "amiga" e o marido ficaram desempregados e eu tinha um emprego em que contactava várias empresas e raro era o dia que este casal não me ligava, não me pedia ajuda, suplicava pelos filhos. E eu ajudei e tudo parecia correr normalmente. Até que um dia o desemprego bateu à minha porta. Nesse dia, a tal "amizade" revelou-se. O telefone deixou de tocar, deixaram de estar disponíveis e não podiam ajudar.

Pois, mas eu nunca lhes pedi para me arranjarem emprego (eles pediram), eu nunca lhes pedi para me comprarem comida (eles pediram). Eu pedi apoio moral e tive, sim tive dos meus queridos e amados pais, da minha restante família, dos amigos verdadeiros e do marido (na altura namorado) e da sua família. 

Deste casal "amigo" nada sei, não quero saber. Eu estou bem, sou feliz e estou numa fase da vida em que só me preocupo com as pessoas que amo e, em primeiro lugar, com a família, o meu pilar, o meu porto de abrigo.

Quem ler este texto poderá pensar o que é que isto lhe interessa. Não interessa para nada, mas o objectivo não é ser interessante, é ser um espaço onde escrevo o que me apetecer. Escrevo para mim e para quem quiser ler e provavelmente, algumas pessoas irão identificar-se porque infelizmente já muitas pessoas se cruzaram com falsos amigos. E, acredito que esses falsos amigos também já lhes aconteceu o mesmo.

O importante é dar a volta por cima, esquecer, seguir em frente com a consciência tranquila e ser feliz.

Sejam felizes. Eu sou.

Gratidão

 Durante muito tempo, acreditou-se que o sucesso exigia renúncias. Que crescer profissionalmente implicava sacrificar tempo, energia e, tant...