sábado, 17 de maio de 2025
sexta-feira, 16 de maio de 2025
segunda-feira, 14 de abril de 2025
terça-feira, 25 de março de 2025
sexta-feira, 21 de março de 2025
Dias de chuva
Gosto de um dia de chuva, daquela chuva certinha e calma, que vai molhando a terra lentamente e não faz estragos. Gosto de estar em casa nesses dias, de pôr uma manta nas pernas, ler um livro, na companhia de uma chávena de chá quente. Gosto de ouvir a chuva e do cheiro da terra molhada.
Não gosto do tempo destes últimos dias, não gosto de vento e chuva fortes, que estragam, que magoam, que tiram vidas. Perante o cenário actual, sinto-me um pequeno ser incapaz seja do que for perante a fúria da natureza. Estás situações deveriam levar-nos a pensar no que realmente vale a pena e deixarmo-nos de conflitos, sejam eles quais forem.
segunda-feira, 10 de fevereiro de 2025
O diabo do Alfusqueiro
" Nem sempre o Demo leva a melhor com o Homem, sobretudo se este tiver a ajudazinha de uma fada. Pois esta é a lenda daquela velha ponte de cantaria sobre o Alfusqueiro, afluente do Rio Águeda, no Caramulo. Poderíamos até dizer que é de um tempo em que o Diabo ainda precisava de andar pela terra a negociar almas. Assim, se naquela passagem era imprescindível para os que atravessavam a serrania, meteu-se um cristão a fazê-la, mas na hora da arrancada deu-se conta da temeridade que a obra envolvia. Eis, surge-lhe o Diabo em pessoa a dizer-lhe que ele mesmo se encarregaria de fazer a ponte, ele e os seus demónios. Porém, havia a questão do pagamento. Pois este consistiria na alma do cristão. A obra ficaria pronta à meia-noite do dia de Natal desse ano, ao cantar do galo. Contrato escrito, foi este assinado com o próprio sangue do homem.
Mas o cristão, conforme via o andamento da obra, aliás de magnífica arquitectura, começava a ficar pesaroso do negócio que fizeram. E a quem aparece o Diabo porque não há-de aparecer uma fada boa? Foi o que terá acontecido. Uma fada esperta ensinou ao homem maneira de se livrar do compromisso, não deixando de ficar com a ponte feita! Neste sentido, a fada deu ao cristão um ovo disse-lhe:
- A obra ficará pronta à meia-noite em ponto. Está atento aos últimos trabalhos e logo que vejas o Diabo colocar a última pedra atira o ovo pela ponte fora e vais ver que tudo corre bem.
E conta a lenda que quando o Diabo e os seus demónios estavam a colocar a pedra do remate, o cristão atirou o ovo ao longo do tabuleiro da ponte e este rolou até que bateu numa pedra e que se quebrou. De dentro dele saiu um belo galo, excelente de plumagem, que começou logo a cantar, antecipando a meia-noite. E assim, por segundos, o Diabo do Alfusqueiro perdeu a aposta. E sabem que mais? A ponte lá está, podem ir experimentá-la num passeio por aquelas bandas aguedenses da Serra do Caramulo. O Diabo dizem que deu um estouro tal que nunca mais por ali passou!
Ah, mas não se fica ppor aqui o espólio lendário de Águeda, pois logo no lugar do Sardão, que ainda pertence à freguesia da cabeça do concelho, há o Medo dos Abadinhos, onde aparecem dois bizarros grupos que constituem o terror das criancinhas: ou a porca com pintainhos ou a galinha com porquinhos. E estes sustos não são só prometidos por aqui, que há outros pontos do país onde os mais velhos ameaçam com eles a felicidade das criancinhas, sobretudo quando se portam mal...
Bem, já agora, fechemos com o feito da Ti Águeda. Pois numa margem do rio a quem ela dava, ou de quem ela tomava, o nome, havia uma cabana de pescadores e na outra uma cabana de pastores. Ponte então não a havia, e a corrente separava dois jovens que se enamoraram. Pois a Ti Águeda, enternecendo-se com aquele amor, dispôs as suas artes mágicas no arrumar das poldras, de modo a permitir a livre aproximação dos lábios que se queriam beijar!"
Viale Moutinho, Lendas de Portugal. Diário de Notícias
sábado, 18 de janeiro de 2025
Lenda: "Senhora dos Aflitos"
(...), nos arredores de Abrantes, num largo à saída da Estrada Velha, quando está entronca com a Estrada Nova, a caminho de Alvega, há uma pequena capela, propriedade particular, sempre fechada a sete chaves, conhecida como do culto do Senhor dos Aflitos. Esmolas de azeite e em dinheiro afluem com cerca regularidade e muita devoção. E a lenda não terá ainda um par de séculos. Pois diz-me que um homem dessa família (...) passando a cavalo e com a sua matilha por aquele lugar foi assaltado por uma alcateia. Os lobos seriam muitos e esfaimados, a ponto de terem acabado com os cães do viajante. Este, impotente para enfrentar as feras, apelou ao Senhor dos Aflitos e a alcateia afastou-se, deixando-o incólume. Emocionado e grato, o cavaleiro logo ali mandou erguer aquele templozinho. (...) Diz o povo que as gentes com problemas nos negócios, dinheiro, mas também de saúde e de amor - Aflitos de um modo geral! - ali acorrem a fazer e a pagar as suas promessas. Falámos em Alvega, e vamos agora a Areia - Casa Branca, na margem esquerda da ribeira da Represa, um pouco abaixo das ruínas do pequeno monumento romano, perto da ponta e estrada 118. Passava ali a via romana, que de Abrantes ia para Alvega, Gavião, Arronches, até Mérida. Ora naquele sítio é a Buraca da Moura, seja uma fenda que não escapa à lenda!
E a lenda conta que naquela Buraca vivia, uma bela moura, naturalmente encantada. Apenas saía de noite, para cantar as suas tristezas. Ora também é voz corrente que naquela Buraca começa um túnel que, passando sob a ribeira, alcança a margem direita da Represa e vai dar a algures, a alguns quilómetros dali. Só que a memória popular perdeu a localização dessa saída e já ninguém se arrisca a fazer o túnel por dentro. Uma vez, um pastor terá dito que ali, junto à Buraca a Moura, lhe desapareceu uma cabra e só deu com ela bastante longe, lembrando-se do túnel. Mas também não deu com a outra saída - ou entrada! (...)"
Fonte: Visor Moutinho, Lendas de Portugal. Diário de Notícias, 2003.
Gratidão
Durante muito tempo, acreditou-se que o sucesso exigia renúncias. Que crescer profissionalmente implicava sacrificar tempo, energia e, tant...
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" Nem sempre o Demo leva a melhor com o Homem, sobretudo se este tiver a ajudazinha de uma fada. Pois esta é a lenda daquela velha pon...


